sexta-feira, 24 de novembro de 2017

TUDO É PARA O BEM - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAIETSE 5778

BS"D
O E-mail desta semana foi carinhosamente oferecido pela Família Lerner em Leilui Nishmat de: 
Miriam Iocheved bat Mordechai Tzvi z"l


Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
NEWSLETTER SHAAREI
NEWSLETTER SHAAREI
NEWSLETTER NETIVOT
NEWSLETTER NETIVOT
VÍDEO PARASHÁ 1
VÍDEO PARASHÁ 1
VÍDEO PARASHÁ 2
VÍDEO PARASHÁ 2

TUDO É PARA O BEM - PARASHÁ VAIETSE 5778 (24 de novembro de 2017)

"Shlomo HaMelech (Rei Salomão) foi o mais sábio de todos os homens. Entre outras incríveis sabedorias, ele conhecia até mesmo a linguagem dos pássaros. Certa vez uma pessoa pediu ao rei que lhe ensinasse esta sabedoria. Em um primeiro momento Shlomo Hamelech recusou, argumentando que aquele tipo de conhecimento poderia ser muito perigoso caso fosse utilizado sem o devido cuidado, mas o homem insistiu e incomodou tanto o rei que ele acabou cedendo e lhe ensinou a linguagem dos pássaros.
 
O homem saiu do palácio feliz com sua recém-adquirida sabedoria. Quando estava caminhando no campo, ouviu dois pássaros conversando. Um pássaro então disse ao outro: "Você vê este homem? Todo o rebanho dele vai morrer daqui a duas semanas". O homem, assustado, foi para casa e rapidamente vendeu todo o seu rebanho. E eis que, duas semanas depois, todo o rebanho morreu, exatamente como o pássaro havia falado. O homem ficou muito feliz, pois com sua sabedoria havia evitado um enorme prejuízo. Algum tempo depois, o homem voltou a andar no campo e ouviu um pássaro dizendo ao outro: "A casa deste homem e tudo o que está nela serão consumidos por um grande incêndio daqui a duas semanas". O homem, alarmado com a notícia, vendeu a casa com todos os seus pertences e guardou o dinheiro. Passadas duas semanas, a casa e tudo o que havia dentro dela se queimou completamente. Novamente o homem se alegrou em seu coração, pois havia evitado uma catástrofe e, com sua incrível sabedoria, havia salvado todo o seu dinheiro. Da terceira vez em que ele saiu ao campo, escutou um pássaro dizendo ao outro: "Este homem morrerá daqui a uma semana". Desta vez o homem se desesperou. Como ele evitaria a morte? Ele então correu para pedir conselhos a Shlomo HaMelech. Ao escutar a história, com todos os detalhes, Solomo HaMelech se entristeceu e disse ao homem:
 
- Eu avisei que não queria ensinar a você a linguagem dos pássaros, pois era muito perigoso. Pelo que você me descreveu, você deve ter feito algo terrivelmente errado e D'us queria castigá-lo para que você pudesse, através dos sofrimentos, expiar seu erro. D'us foi misericordioso e, ao invés de causar um sofrimento diretamente em você, Ele decidiu puni-lo através da morte do seu rebanho. No entanto, você quis fazer melhor do que D'us e descobriu, através dos pássaros, como evitar este castigo. A perda teria sido para o seu benefício, pois teria te abalado e te despertado para o arrependimento. Desta maneira você poderia ter consertado seus atos. Então D'us quis que você se arrependesse queimando sua casa e suas posses, mas novamente você evitou a tragédia e, portanto, perdeu de novo a oportunidade de se arrepender. Suas transgressões, entretanto, permaneceram e a única opção que você deixou a D'us foi trazer sua morte como expiação por seus pecados. Infelizmente agora não há mais o que fazer."


Somos precipitados em nosso julgamento de D'us. Muitas vezes o que parece ser bom tem consequências trágicas, enquanto dificuldades e sofrimentos são, na verdade, atos de misericórdia de D'us. Por isso, é importante sempre refletir e lembrar que somente D'us sabe se algo é bom ou ruim, pois somente Ele conhece o futuro. 

Nesta semana lemos a Parashá Vaietse (literalmente "E saiu"), que conta o início da jornada de Yaacov para a cidade de Haran, a terra de seu tio Lavan, para onde ele foi esperar esfriar a fúria de seu irmão Essav, que queria matá-lo por causa da Brachá (benção) de primogenitura. Yaacov também queria aproveitar a oportunidade para procurar uma esposa, já que seus pais não queriam que ele se casasse com uma mulher de Knaan, que eram pessoas amaldiçoadas. Em Haran, Yaacov conheceu sua prima Rachel, com quem decidiu se casar. Porém, como Yaacov não tinha dinheiro para o dote, seu tio Lavan propôs que ele trabalhasse sete anos por sua filha. Yaacov aceitou e trabalhou duro, cuidando dos rebanhos de Lavan dia e noite, com muita dedicação. Quando os sete anos de trabalho terminaram, Lavan foi trapaceiro e, no dia do casamento, trocou suas filhas. Quando Yaacov percebeu, havia se casado com Leá, a irmã mais velha de Rachel. Yaacov teve então que trabalhar mais sete anos por Rachel, como diz o versículo: "E (Yaacov) trabalhou com ele (Lavan) outros sete anos" (Bereshit 29:28).
 
Porém, a linguagem do versículo desperta um questionamento. Por que a Torá quis enfatizar que Yaacov trabalhou "outros" sete anos por Rachel? Não é óbvio que não são os mesmos sete anos iniciais? Rashi (França, 1040 - 1105) responde que a Torá escreveu "outros" para conectar os últimos sete anos trabalhados por Yaacov com os primeiros sete anos, para nos ensinar que, da mesma maneira que os primeiros sete anos foram trabalhados com total honestidade e empenho, assim também foram os últimos sete anos. Mas se Yaacov havia trabalhado honestamente nos primeiros sete anos, por que a Torá precisou enfatizar sua honestidade também nos últimos sete anos? A diferença é que nos primeiros sete anos Yaacov havia concordado em trabalhar por Rachel e, desta maneira, certamente ele seria honesto no seu trabalho. Porém, os últimos sete anos de trabalho somente aconteceram por causa da trapaça de Lavan. Foram sete anos de trabalho injustos e, portanto, Yaacov tinha todos os motivos do mundo para querer "dar o troco" em Lavan, sendo desonesto nos negócios ou até mesmo negligente no seu trabalho. Por isso a Torá fez questão de ressaltar que, apesar do desgosto de Yaacov, os últimos sete anos de trabalho foram tão íntegros quanto os primeiros sete anos.

O Rav Yossef Tzvi Salanter zt"l (Lituânia, 1786 - Israel, 1866) ressalta que desta explicação de Rashi aprendemos o quão grande era a retidão do nosso patriarca Yaacov. Apesar de ter sido abertamente enganado e ter trabalhado "de graça" por mais sete anos, ele não se rebelou contra Lavan e fez seu trabalho de maneira honesta. Além da perda financeira de Yaacov e a perda psicológica com a sensação de ter sido enganado, a trapaça de Lavan causou em Yaacov outro terrível sofrimento. Yaacov era muito cuidadoso com todas as Mitzvót da Torá e se sentiu muito incomodado por ter sido forçado a se casar com duas irmãs, algo proibido pela Torá. Na época de Yaacov, a Torá ainda não havia sido entregue ao povo judeu e, portanto, o ato dele não foi considerado uma transgressão. Apesar disso, Yaacov entendia a implicação espiritual de todas as Mitzvót e, por isso, se sentiu tão incomodado por ter casado com duas irmãs. A prova de que isto atormentou Yaacov é trazida pelo Talmud (Pessachim 119b), que nos ensina que futuramente D'us oferecerá uma refeição festiva aos Tzadikim. No final da refeição será dado a Yaacov o copo de vinho para que ele faça a Brachá, mas ele dirá: "Não posso fazer a Brachá, pois eu me casei com duas irmãs". Porém, apesar das perdas materiais, espirituais e psicológicas que Yaacov sofreu, em nenhum momento ele entrou em conflito com Lavan ou tentou "dar o troco". Yaacov passou por suas dificuldades com aceitação completa da vontade Divina, sem questionamentos. De onde ele tirou forças para passar este difícil teste? De sua Emuná (fé) completa de que tudo o que ocorre é para o bem e está sob a Supervisão de D'us, conforme ensinam os nossos sábios (Brachót 60b): "Tudo o que o Misericordioso faz, Ele faz para o bem".
 
Entretanto, apesar de Yaacov ter recebido seus sofrimentos com amor e aceitação, ainda fica um grande questionamento. Se D'us é bondoso e misericordioso, então por que os Tzadikim passam por dificuldades e sofrimentos? Se Yaacov era um grande Tzadik, uma pessoa reta que andava nos caminhos de D'us, por que ele precisou passar por este sofrimento tão terrível, de ter sua esposa trocada no dia do seu casamento, após ter trabalhado duro sete anos para se casar com ela? E por que D'us permitiu que Lavan, o trapaceiro, tivesse sucesso em seus atos de enganação?
 
Responde o Rav Yossef Tzvi Salanter que deste acontecimento da Parashá aprendemos que mesmo quando um Rashá (malvado) faz maus atos contra um Tzadik inocente, precisamos saber que isto foi direcionado e controlado por D'us e, em última instância, tudo foi feito para o bem do Tzadik e do mundo como um todo. Mas qual foi o benefício desta enganação de Lavan? Pode soar estranho, mas dos atos de trapaça de Lavan, que foram feitos com crueldade e causaram muitos sofrimentos para Yaacov, brotou a futura salvação do povo judeu.
 
O Midrash (parte da Torá Oral) nos ensina que o Primeiro Beit Hamikdash (Templo Sagrado) foi destruído, entre outros motivos, por causa da idolatria feita pelo povo judeu. No momento da destruição do Templo, quando os judeus estavam sendo levados acorrentados para o exílio, os nossos patriarcas e Moshé Rabeinu se apresentaram diante de D'us para implorar em favor do povo. Cada um deles argumentou que, pelo mérito de seus bons atos na vida, o povo judeu merecia futuramente ser trazido de volta para a Terra de Israel, porém o argumento de nenhum deles foi aceito por D'us. Até que se levantou nossa matriarca Rachel e, entre lágrimas, disse: "D'us, eu esperei por tantos anos para me casar com o homem da minha vida, mas no dia do meu casamento eu percebi que meu pai me trocaria pela minha irmã. Eu tive misericórdia dela e, para que ela não fosse humilhada em público, eu entreguei a ela os sinais que eu tinha combinado com Yaacov e permiti que ela se casasse no meu lugar. Se eu, que sou apenas uma pessoa de carne e osso, que sou apenas pó e cinzas, consegui vencer meus ciúmes e permiti que uma "concorrente" vivesse na minha casa, Você, que é o Rei vivo, que é infinitamente misericordioso, não pode passar por cima dos Seus "ciúmes" e perdoar o povo por ter colocado um "concorrente" (idolatria) na Sua casa?". A resposta de D'us não demorou. Imediatamente Sua misericórdia foi despertada e Ele disse: "Rachel, suas lágrimas não foram em vão. Pelo seu mérito Eu trarei o povo judeu de volta ao seu lugar".
 
Este Midrash nos ensina que apenas por Rachel ter passado em seu difícil teste é que o povo judeu teve o mérito de ser salvo do exílio. Sozinho, o ato de Rachel teve mais força para a salvação do povo judeu do que todos os atos dos nossos patriarcas e de Moshé juntos. E se pararmos para refletir, perceberemos algo incrível: se Yaacov tivesse se casado com Rachel conforme o que havia sido combinado inicialmente, então Rachel não teria passado por aquele difícil teste e faltaria para o povo judeu o mérito para a salvação do exílio. Se Yaacov não tivesse passado por aquele sofrimento, o povo judeu não teria sido perdoado pela idolatria que eles cometeram.

A conclusão é que tudo o que ocorre em nossas vidas é para o bem. Muitas vezes não enxergamos as incríveis bondades de D'us simplesmente porque não refletimos. Somente D'us conhece o passado, o presente e o futuro de forma completa. Por isso, devemos sempre ser honestos, pois mesmo quando Reshaim tentam nos prejudicar, precisamos manter o foco correto de que tudo, em última instância, depende da vontade de D'us. Mesmo que muitas vezes a bondade não pode ser vista imediatamente, ainda assim precisamos ter a certeza de que a bondade brotará, mais cedo ou mais tarde, e brilhará não apenas para nós, mas para o mundo inteiro
.
Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHÁ VAIETSE 5778:

                   São Paulo: 19h15  Rio de Janeiro: 19h00                    Belo Horizonte: 18h57  Jerusalém: 16h01
***********************************************************************
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

QUEM DÁ VIDA RECEBE VIDA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ TOLDOT 5778

BS"D
O E-mail desta semana foi carinhosamente oferecido pela Família Foinquinos em Leilui Nishmat de: 
Chaya Simcha bat Lea z"l e Avraham ben Zara z"l


O E-mail desta semana foi carinhosamente oferecido pela Família Lerner em Leilui Nishmat de: 
Miriam Iocheved bat Mordechai Tzvi z"l


Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
NEWSLETTER SHAAREI
NEWSLETTER SHAAREI
NEWSLETTER NETIVOT
NEWSLETTER NETIVOT
VÍDEO PARASHÁ 1
VÍDEO PARASHÁ 1
VÍDEO PARASHÁ 2
VÍDEO PARASHÁ 2

QUEM DÁ VIDA RECEBE VIDA - PARASHÁ TOLDOT 5778 (17 de novembro de 2017)

O Sr. Meir, um viúvo bem idoso, vivia sozinho. Mesmo tendo trabalhado muito durante sua vida, agora ele já não tinha mais forças e o dinheiro estava no fim. Ele tinha três filhos, todos casados, mas que infelizmente estavam tão ocupados com suas famílias que quase não tinham tempo para visitá-lo. Sentia-se cada vez mais fraco e as visitas dos filhos eram cada vez mais raras. Ele se sentia um peso para os filhos, mas não podia mais ficar sozinho em casa.
 
Preocupado com seu futuro, ele teve uma ideia. Chamou um amigo carpinteiro e pediu que lhe fizesse um baú, como os antigos baús de tesouro. Encheu o baú, trancou-o e deixou-o no fundo do armário da cozinha, junto com os pratos e talheres. Certo dia, quando seus filhos vieram jantar em sua casa, eles abriram o armário e descobriram o baú. Curiosos, eles perguntaram que havia dentro. O Sr. Meir, fingindo ter sido pego de surpresa, respondeu que não havia nada de especial, apenas algumas coisinhas que havia juntado durante a vida.
 
Os filhos perceberam, ao ajudarem o pai a recolher a mesa, que o baú era pesado e que, ao ser movido, produzia um barulho como o de moedas. Os olhos deles brilharam, imaginando a fortuna que havia lá dentro. Mas ficaram preocupados, pois o pai já estava velhinho e alguém poderia roubar o baú. Decidiram que deveriam vigiar aquele baú dia e noite. Organizaram-se para que em cada semana um dos irmãos fosse morar com o pai. O Sr. Meir não cabia em si de contentamento.
 
Algum tempo depois, o Sr. Meir adoeceu gravemente e faleceu. Os filhos organizaram um enterro digno, pois sabiam que uma fortuna os esperava, que certamente compensaria todo aquele gasto. Depois do enterro, os três irmãos procuram por toda a casa a chave do baú. Quando abriram, descobriram que o baú estava cheio... de cacos de vidro. O irmão mais novo ficou muito irritado, se sentiu enganado. Porém, o irmão mais velho, após refletir, disse:
 
- Infelizmente fomos nós que causamos que o papai nos enganasse. Se ele não tivesse feito isso, não teríamos cuidado dele até o fim de sua vida. Estou envergonhado. Não o tratamos como ele merecia...


Um dos filhos esvaziou o baú, para ter certeza que não continha nenhum objeto de valor. Encontrou, no fundo, algo valioso. Era uma inscrição, na qual se lia: "Quinto mandamento: Honrará seu pai e sua mãe".

Nesta semana lemos a Parashá Toldot (literalmente "Gerações"), que descreve o nascimento dos irmãos gêmeos Yaacov e Essav. Enquanto Yaacov se tornou um grande Tzadik (justo) e dedicou sua vida ao estudo da Torá e aos bons atos, Essav se tornou um grande Rashá (malvado), dedicado à caça e aos maus atos, como assassinato e adultério. Como Essav era o filho primogênito, ele merecia receber de seu pai Ytzchak a Brachá (benção) de primogenitura. Yaacov acabou comprando de Essav a primogenitura por um mísero prato de lentilhas, porém não teve coragem de contar ao pai que Essav desprezava a espiritualidade a este ponto.
 
Porém, se Essav era alguém tão ruim, que cometia transgressões tão graves, como seu pai não conhecia sua má índole? Essav conseguia enganar seu pai, em especial porque ele cumpria a Mitzvá de "Kibud Av Ve Em" (honrar os pais) de maneira exemplar. Um exemplo do nível de honra que Essav dava ao seu pai pode ser visto no momento em que Ytzchak quis dar ao seu filho Essav a Brachá de primogenitura. Rivka, esposa de Ytzchak, sugeriu ao seu filho Yaacov que entrasse no lugar de seu irmão para receber a Brachá. Yaacov ficou com medo de ser desmascarado, apesar de Ytzchak já estar cego. Rivka o tranquilizou e, para garantir que não haveria problemas, ela vestiu Yaacov com algumas roupas de Essav que ela tinha em casa. Que roupas eram aquelas? De acordo com Rashi (França, 1040 - 1105), era um jogo de roupas limpas que Essav deixava na casa de seus pais e as vestia toda vez que servia seu pai. Segundo outra opinião mencionada por Rashi, aquelas eram roupas reais que Essav havia roubado do rei Nimrod. Ele fazia questão de usar estas roupas reais todas as vezes que servia seu pai. Isto significa que a dedicação de Essav por seu pai era algo incrível, a ponto dele se trocar e vestir roupas limpas e honrosas todas as vezes que ia cumprir a Mitzvá de "Kibud Av Ve Em".
 
Há um Midrash (parte da Torá Oral) que ressalta ainda mais a perfeição de Essav no cumprimento da Mitzvá de "Kibud Av Ve Em". Raban Shimon ben Gamliel declarou: "Toda minha vida eu servi meu pai, mas nunca atingi nem um por cento do nível de como Essav servia seu pai. Eu não prestava atenção à limpeza das roupas que eu estava vestindo (quando eu servia meu pai), somente quando eu saía em público eu prestava atenção às condições da roupa que eu vestia. Mas Essav, ao contrário, era rigoroso ao servir seu pai sempre com roupas limpas, mas não se importava de andar pelo mercado (em público) vestindo trapos". Isto significa que, mesmo nos esforçando muito, dificilmente chegaremos perto do nível de honra que Essav dedicava ao seu pai.
 
Porém, há alguns detalhes da Parashá que aparentemente contradizem este conceito. A Torá nos revela que quando Yaacov tentou se passar por Essav para receber a Brachá no lugar dele, Ytzchak suspeitou que havia algo errado. De acordo com a Torá, o que traiu Yaacov foi sua voz, como está escrito: "Então Yaacov aproximou-se de Ytzchak, seu pai, e ele o apalpou e disse: "A voz é a voz de Yaacov, mas as mãos são as mãos de Essav" (Bereshit 27:22). Porém, de acordo com o Ramban zt"l (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270), por Yaacov e Essav serem gêmeos, suas vozes eram idênticas. Então o que chamou a atenção de Ytzchak? Explica Rashi que enquanto Yaacov falava com seu pai de maneira respeitosa, pedindo a ele que por favor se sentasse para comer, Essav falava de forma impetuosa e sem educação. Mas como pode ser que Essav cumpria a Mitzvá de "Kibud Av Ve Em" de maneira tão completa e, ao mesmo tempo, falava com seu pai de maneira grosseira?  
 
Além disso, Essav se casou com mulheres indignas, o que causou muito desgosto aos seus pais. Nossos sábios ensinam que a fumaça produzida pelos serviços de idolatria feitos pelas esposas de Essav contribuíram para que Ytzchak perdesse precocemente a visão. Como Essav podia se comportar de maneira tão insensível em relação ao sentimento dos seus pais e, ao mesmo tempo, cumprir com perfeição a Mitzvá de "Kibud Av Ve Em"?
 
Explica o Rav Yohanan Zweig que, de acordo com os sábios do Talmud (parte da Torá Oral), nossos pais devem ser honrados pelo simples fato de terem nos dado a existência, isto é, por terem nos trazido ao mundo. Este reconhecimento de que devemos nossa própria vida aos nossos pais pode causar dois tipos de sentimentos: uma sensação de endividamento ou um profundo sentimento de gratidão. Mas o que isto muda na prática?
 
Normalmente não gostamos de nos sentir endividados, isto nos causa uma sensação negativa, da qual queremos nos libertar. Uma pessoa que tem uma dívida preferia nunca ter se endividado. A cada parcela paga da dívida, ela se sente um pouco mais livre. Quando a pessoa finalmente consegue quitar sua dívida, ela se sente completamente libertada. Portanto, tudo o que ela faz em relação ao pagamento da dívida causa a ela uma sensação agradável de libertação e isenção e, portanto, ela faz de tudo para terminar a dívida o mais rápido possível. Paralelamente, uma pessoa que serve seus pais apenas porque sente um tremendo senso de endividamento servirá seus pais apenas como uma maneira de "pagar" esta dívida, pois se sente incomodado.
 
Por outro lado, uma pessoa que sente profunda gratidão pelos pais quer dedicar sua existência a eles. Uma forma de retribuir aos nossos pais por terem nos dado a nossa própria existência é dar a eles também existência. Isto ocorre quando nos minimizamos perante eles, reconhecendo a superioridade deles sobre nós, o que se expressa na prática quando escutamos o que eles têm a nos ensinar e andamos nos caminhos que eles nos indicam. Podemos dar vida aos nossos pais mostrando nossa devoção e anulação perante eles.
 
É claramente mais fácil realizar um serviço com entusiasmo quando percebemos que estamos nos libertando através de nossas ações, e não que estamos nos limitando e nos reduzindo. É por isto que vemos um entusiasmo nos atos de "Kibud Av Ve Em" de Essav. Não porque havia uma motivação verdadeira de honrar os pais e engrandecê-los. Essav não se importava de verdade com seus pais, por isso fazia escolhas equivocadas que causavam tanto sofrimento a eles. Essav não se submetia à vontade de seu pai quando ela ia contra seu modo de vida. Essav se sentia endividado e, procurando por sua independência, servia seu pai como forma de pagamento. Ele sabia que quanto mais perfeito fosse seu serviço, menos dívida restaria para pagar. Ele se esforçava em um nível sobre-humano para servir seu pai, mas não se esforçava em aprender o que seu pai lhe ensinava. Ele trocava suas roupas externamente para servir seu pai, mas não se interessava em se anular perante ele e mudar por dentro.
 
A forma ideal de honrarmos nossos pais é, por um lado, fazermos com o mesmo entusiasmo de Essav, buscando a perfeição em cada detalhe de como servimos eles, porém junto com a motivação correta, que é a vontade de nos comportarmos com submissão perante eles, dando assim uma maior existência aos nossos pais.
 
Honrar os pais não é uma Mitzvá fácil de ser cumprida, mas é uma das poucas Mitzvót da Torá cuja recompensa está explícita: "Honre seu pai e sua mãe, para que se alonguem seus dias" (Shemot 20:12). O Talmud (Kidushin 39b) ensina que esta recompensa se refere à vida eterna no Mundo Vindouro. Por que esta é a recompensa adequada? Pois quando os honramos nossos pais da maneira correta, estamos dando a eles vida. D'us então nos recompensa "medida por medida", nos dando um nível de existência máxima, a vida eterna no Mundo Vindouro.
 
Pelo fato de Essav, um Rashá, ter conseguido se destacar nesta importante Mitzvá, isto torna a nossa responsabilidade e o nosso desafio ainda maiores. Os pais cuidam dos filhos desde o nascimento e literalmente dão a vida por eles. Temos, portanto, a obrigação de devolver isto aos nossos pais. Da mesma maneira que um bebê é frágil e precisa de cuidados, o mesmo ocorre com um idoso, que se torna frágil e precisa de atenção, carinho e cuidados da família. Da mesma forma que recebemos vida dos nossos pais, que possamos dar a eles vida e, assim, receber de D'us a vida verdadeira, a vida eterna.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHÁ TOLDOT 5778:

                   São Paulo: 19h10  Rio de Janeiro: 18h56                    Belo Horizonte: 18h52  Jerusalém: 16h03
***********************************************************************
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp