terça-feira, 19 de setembro de 2017

MENSAGEM SHANÁ TOVÁ 5778

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MENSAGEM SHANÁ TOVÁ 5778

 Por mais incrível que pareça, mais um ano está terminando. Parece que foi ontem que estávamos na mesa de Rosh Hashaná, comendo a maça com mel e desejando aos nossos familiares um ano bom e doce, e novamente estamos fechando mais um ciclo. Nossos sábios perguntam: Por que desejamos um ano bom e doce? Não é suficiente que o ano seja bom?

"Certo dia, um professor ateu quis provocar um grupo de crianças no início da aula. Ele perguntou, de forma debochada, quem era D'us. Uma das crianças, na inocência, respondeu:
 
- D'us é o Criador. Ele fez a terra, o mar e tudo que está neles. Ele também nos criou, por isso somos filhos Dele.
 
O professor então, de forma desafiadora, questionou:
 
- Como você sabe que D'us existe, se você nunca O viu?
 
A sala ficou toda em silêncio. As crianças não sabiam o que responder. Até que Avraham, um menino muito tímido, levantou a mão e falou:
 
- A minha mãe sempre me diz que D'us é como o açúcar no leite que ela me prepara todas as manhãs. Eu não consigo ver o açúcar que está dentro da caneca de leite, mas eu sei que o açúcar está lá, pois o leite fica doce. Da mesma maneira, nós não podemos enxergar D'us, mas sabemos que Ele está entre nós, pois sentimos a doçura dos Seus atos de bondade".
 
Muitas vezes as bondades de D'us vêm escondidas, vêm de maneira que precisamos refletir para percebê-las. Por isso, desejamos que o ano não seja apenas bom, mas que também possamos perceber as infinitas bondades de D'us em nossas vidas, que possamos sentir a doçura da Sua bondade.
 
Baruch Hashem, conforme pedimos para D'us no ano passado, este ano realmente foi bom e doce. Isto não quer dizer que não tivemos nossas dificuldades e nossos sofrimentos. Mas, ao fazer um balanço do ano, não podemos focar nas dificuldades, não é justo com D'us, que nos faz tantas bondades. Temos que focar em quantas coisas boas recebemos durante o ano, começando pelo simples fato de podermos abrir os olhos cada manhã e enxergar as maravilhas do mundo ou podermos levantar da cama e caminhar com as nossas pernas. Mesmo as dificuldades devem ser vistas através de uma ótica positiva. Os problemas nos deixaram mais fortes, mais sábios e mais experientes. O simples fato de estarmos vivos por si só já vale o agradecimento e o reconhecimento a D'us.
 
Além de agradecer imensamente a D'us por todas as oportunidades, eu tenho muito a agradecer a vocês, leitores do Shabat Shalom M@il. Sinto o quanto este e-mail já virou parte central da minha semana, da minha vida. Uma incrível oportunidade de aprender novos ensinamentos da Torá e poder transmiti-los. Como dizem nossos sábios: "Mais do que o bezerro quer mamar, a vaca quer dar o leite". Me alegra muito poder dividir com vocês a sabedoria da Torá, que nos preenche e ilumina o nosso caminho em um mundo com uma escuridão espiritual cada vez maior.
 
Ao fecharmos o ciclo de mais um ano, aproveito a oportunidade para agradecer por todo o apoio, pelos elogios, incentivos e sugestões que recebi durante o ano. É gratificante escutar pessoas que, ao me encontrarem, dizem: "Você está presente todas as semanas na nossa Seudá de Shabat". Me dá forças para continuar este trabalho. Espero que os ensinamentos que eu compartilhei possam ter ajudado todos a melhorarem e crescerem espiritualmente da mesma maneira que me ajudaram.
 
Agradeço a cada um dos leitores, por serem a minha fonte de inspiração e motivação para continuar este trabalho. Agradeço à minha esposa e meus filhos, pela alegria que me trazem, por preencherem minha vida e por abrirem mão do tempo que eu dedico para escrever o Shabat Shalom M@il. Agradeço aos meus pais, por toda a dedicação, pelo amor que recebi e recebo, pela excelente educação que me deram e pelos valores que me transmitiram. E, acima de tudo, agradeço a D'us, pela bondade infinita de ter me colocado em um caminho de Torá e Mitzvót.
 
Que possamos aproveitar estes últimos dias do ano para aumentar ainda mais os nossos méritos. Como estamos todos de coração mais aberto, é hora de reconstruir relacionamentos abalados e pedir perdão àqueles que possamos ter magoado. Nestes últimos dias do ano abrem-se os portões da Misericórdia de D'us e recebemos uma ajuda especial para o nosso crescimento espiritual.
 
Aproveito a oportunidade para pedir perdão a qualquer um que possa ter se sentido ofendido pelas mensagens que eu enviei ou por alguma atitude que eu tenha tomado. Se alguém tiver alguma mágoa ou reclamação, por favor, me avise para que eu possa pedir perdão pessoalmente. Também perdoo de coração a qualquer um que possa ter me causado sofrimentos.
 
Que possamos ser inscritos no Livro da Vida, com muita saúde, sustento, alegrias, paz e espiritualidade. E que neste ano de 5778 possamos continuar nos encontrando, semanalmente, neste incrível mundo dos conhecimentos da Torá.
 
SHANÁ TOVÁ
 
Com muito carinho,
 
R' Efraim Birbojm







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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

DEFEITO DOS OUTROS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT NITZAVIM E VAYELECH 5777 E ROSH HASHANÁ 5778

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O E-mail desta semana foi carinhosamente oferecido pela Família Rosenbaum em Leilui Nishmat de: 

Yechiel Mendel ben David z"l

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
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DEFEITO DOS OUTROS - PARASHIÓT NITZAVIM E VAYELECH 5777 E ROSH HASHANÁ 5778 (15 de setembro de 2017)

"O Sr. Antônio foi conversar com um médico. Ele estava muito preocupado com sua esposa, pois achava que ela estava ficando completamente surda. Ele perguntava coisas e ela simplesmente não respondia. O médico pediu, através de um teste bem simples, para o Sr. Antônio fazer um pré-diagnóstico de sua esposa:

- Sr. Antônio, quando sua esposa não estiver olhando, o senhor comece a falar com ela, a certa distância, em um tom normal. O senhor vai se aproximando e repetindo a frase, até perceber a que distância ela começa a escutá-lo.
 
Naquela mesma noite, quando a mulher estava preparando o jantar, o Sr. Antônio decidiu fazer o teste sugerido pelo médico. Mediu a distância que estava em relação à mulher e perguntou, em um tom normal:

- Marta, o que temos para o jantar? 

Como não ouviu nada, aproximou-se mais 5 metros e repetiu a pergunta. Nada ainda, nenhuma resposta. Então, aproximou-se mais 5 metros e perguntou pela terceira vez. Silêncio total. Por fim, quase encostando a boca no ouvido da esposa, perguntou mais uma vez. Desta vez escutou-a respondendo:

- Frango, meu bem, frango. É a quarta vez que você me pergunta e é a quarta vez que eu te respondo..."

Muitas vezes achamos que o defeito está com os outros quando, na realidade, o defeito está em nós mesmos.

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Nitzavim (literalmente "Parados") e Vayelech (literalmente "E foi"). E na próxima 4ª feira de noite (20 de setembro) começa Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico, o dia no qual todos os nossos atos passam diante de D'us para serem analisados. Os que são considerados Tzadikim (justos) são imediatamente inscritos no Livro da Vida, os que são considerados Reshaim (malvados) são imediatamente inscritos no Livro da Morte e os que são considerados Beinonim (pessoas de nível intermediário) ficam com o seu julgamento pendente até o dia de Yom Kipur. Porém, nos assusta a ideia de um julgamento tão rigoroso e detalhado. D'us vê cada ato que fizemos e cada intenção. Fizemos inúmeros erros e tivemos infinitos maus pensamentos durante o ano. Então como passaremos por este julgamento tão rigoroso? O que fazer para sairmos com um bom decreto?
 
A resposta está na Parashá Nitzavim: "Esta Mitzvá que eu comando hoje para vocês não está escondida de vocês e nem está distante. Não está nos céu para que você diga "Quem subirá até o céu para trazê-la para nós, para que possamos escutá-la e cumpri-la" (Devarim 30:11,12). De acordo com o Ramban zt"l (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270), a Torá está se referindo à Mitzvá de Teshuvá, do arrependimento e conserto dos nossos maus atos. A Teshuvá pode apagar os nossos erros e, portanto, pode mudar o nosso julgamento de Rosh Hashaná. Além disso, de acordo com esta explicação do Ramban, a Torá está ressaltando que a Teshuvá não é uma Mitzvá que está longe do nosso alcance, ao contrário, é uma Mitzvá facilmente atingível se fizermos o esforço necessário.
 
O Rav Chaim Shmulevitz zt"l (Lituânia, 1902 - Israel, 1979) questiona esta explicação do Ramban. Se a Teshuvá é algo tão acessível a todos, então por que tão poucos fazem Teshuvá da forma apropriada? Se está tão claro para nós quais foram os erros que cometemos, por que não admitimos e não nos arrependemos deles?
 
A resposta está em um interessante Midrash (parte da Torá Oral) que descreve detalhes sobre o que ocorreu após o primeiro assassinato da história da humanidade, quando Cain, movido pela inveja, se levantou e matou seu próprio irmão, Hevel (Abel). Apesar do crime hediondo, D'us não puniu Cain imediatamente após o assassinato, e sim perguntou a ele: "Onde está seu irmão Hevel?" (Bereshit 4:9). Cain respondeu para D'us: "Por acaso eu sou o cuidador do meu irmão?" (Bereshit 4:9). O Midrash se aprofunda nesta resposta de Cain e explica que assim ele quis dizer para D'us: "Você não é o protetor de toda a vida? Então por que Você está perguntando para mim?... Eu o matei, mas foi Você quem me deu a má inclinação. Você deveria proteger a todos, mas Você permitiu que eu o matasse, portanto foi Você que o matou... Se Você tivesse aceitado a minha oferenda como aceitou a dele, eu não teria sentido inveja dele". As palavras do Midrash são assustadoras. D'us iniciou uma conversação com Cain justamente para lhe dar a chance de fazer Teshuvá, mas ele desperdiçou a oportunidade. Por que? Pois se recusou a aceitar a culpa por sua participação no assassinato. Ele chegou ao ponto de culpar a D'us para não assumir que tinha errado.
 
É justamente este o motivo que impede as pessoas de fazerem Teshuvá da maneira correta. Normalmente estamos plenamente conscientes das transgressões que cometemos, mas há um fator que nos impede de nos arrependermos da maneira apropriada: a falta de habilidade em aceitar que a responsabilidade dos nossos maus atos recai, em última instância, apenas sobre nós mesmos. Sempre temos um repertório completo de desculpas para justificar nossas falhas. Culpamos a nossa educação, as nossas inclinações naturais e a sociedade na qual vivemos, tirando das nossas costas a responsabilidade sobre os nossos erros. Como um dos pré-requisitos para a Teshuvá verdadeira é o reconhecimento que "eu poderia ter feito melhor" ou "eu poderia ter vencido o meu Yetzer Hará (má inclinação)", sem a admissão da culpa pelos nossos erros não podemos nem mesmo começar o nosso processo de Teshuvá. Porém, quando assumimos a responsabilidade pelos nossos atos, a Teshuvá se torna um processo muito mais fácil de ser alcançado.
 
Esta dificuldade em assumir a culpa pelos nossos atos também é facilmente percebida no primeiro e mais decisivo erro da história da humanidade, que nos afeta até os dias de hoje: a transgressão de Adam Harishon e Chavá. À primeira vista, a pior parte da transgressão de Adam foi ter desobedecido a ordem de D'us e ter comido do fruto que Ele havia proibido, o que levou à expulsão de Adam do Gan Éden e outras terríveis consequências que afetaram toda a humanidade. Porém, novamente percebemos que a punição não ocorreu imediatamente depois da transgressão. D'us iniciou uma conversa com Adam e Chavá, dando a eles a oportunidade de admitirem seu erro. Entretanto, a reação deles foi extremamente negativa. Ao invés de assumir a culpa, Adam respondeu "A esposa que Você me deu, ela me deu do fruto e eu comi" (Bereshit 3:12), desviando a culpa para Chavá e para D'us, que havia lhe dado a esposa. D'us então deu a Chavá a chance de assumir seu erro, mas ela também desperdiçou a oportunidade ao responder "a serpente me enganou e eu comi" (Bereshit 3:13). Somente então D'us puniu Adam e Chavá pela sua transgressão. Tanto no caso de Cain quanto no caso de Adam, o adiamento da aplicação do castigo nos ensina que, se eles tivessem assumido a responsabilidade por seus atos, certamente seus castigos teriam sido muito mais brandos e talvez a história da humanidade teria sido completamente diferente.
 
De Adam e Cain aprendemos que a habilidade de admitir os próprios erros é talvez até mais importante do que não transgredir. Afinal, todos nós estamos propensos a errar em algum momento da vida, por mais que nos esforcemos para fazer sempre o que é correto, como afirmou o mais sábio de todos os homens, Shlomo HaMelech: "Não há nenhum Tzadik no mundo que faz o bem e não transgride" (Kohelet 7:20). O verdadeiro indicador do nosso nível espiritual é, portanto, a nossa habilidade de se levantar após uma queda espiritual e admitir o nosso erro.
 
Passaram-se centenas de anos até que um homem se levantou e assumiu a responsabilidade por seus atos, consertando o erro de Adam HaRishon. Nossos sábios perguntam: "Por que Yehudá, o filho de Yaacov, teve o mérito de seus descendentes se tornarem os reis de Israel?" A resposta é incrível: "Pois ele admitiu seu erro no incidente com Tamar". Tamar estava prestes a morrer queimada, acusada de ter cometido adultério, quando ela deu a Yehudá a oportunidade dele assumir a sua participação. Yehudá poderia facilmente ter ficado quieto. Entretanto, em um determinado momento, ele corajosamente se levantou e aceitou a responsabilidade, como está escrito: "E Yehudá assumiu e disse: 'Ela está mais certa do que eu'" (Bereshit 38:26). Aquele foi o momento da criação da semente do Mashiach, um descendente de Yehudá que levará de volta a humanidade ao nível espiritual de antes da transgressão de Adam e Chavá. Uma das formas de consertar uma transgressão é corrigir o traço de caráter negativo demonstrado nela. Como a principal falha de Adam foi a falta de habilidade em aceitar sobre si a responsabilidade por seus erros, o nascimento da semente do Mashiach ocorreu justamente após o sucesso de Yehudá em tomar sobre si a responsabilidade por seus atos.
 
David HaMelech também foi um dos descendentes de Yehudá. Apesar de seu gigantesco nível espiritual, ele cometeu dois erros que poderiam ter custado seu reinado. David foi duramente repreendido pelo profeta Nathan por estes erros. Porém, David não procurou desculpas nem em quem jogar a responsabilidade. Ao escutar as palavras do profeta, imediatamente David disse: "Eu pequei diante de D'us" (Shmuel 2 12:13). David HaMelech mostrou sua disposição para assumir a responsabilidade por seus erros ao imediatamente assumir sua culpa. Por sua Teshuvá completa, ele foi perdoado e não perdeu seu reinado.
 
Vivemos uma sociedade que cada vez mais se esquiva do conceito da responsabilidade pelos atos cometidos. Pessoas esclarecidas e com elevado nível acadêmico defendem a ideia de que ninguém pode ser considerado culpado pelos seus maus comportamentos. O principal argumento utilizado é que as pessoas não têm escolha, pois são "predestinadas" por uma combinação de fatores externos, como acontecimentos do passado, educação, elementos genéticos e influência da sociedade. Nesta linha de raciocínio, qualquer criminoso deve ser perdoado por seus crimes, pois não teve escolha. Segundo estas pessoas, as falhas nos traços de caráter devem ser aceitas com naturalidade, pois são inevitáveis.
 
Este conceito vai totalmente contra os ensinamentos da Torá. De acordo com o judaísmo, isto é um ato de covardia e de acomodação. A única maneira de fazermos Teshuvá é admitirmos que a responsabilidade pelo nosso comportamento, no final das contas, recai apenas sobre nós. Outros elementos certamente podem aumentar o nosso teste, mas em última instância temos o potencial de vencê-los. Se formos corajosos o suficiente para admitir que podemos e devemos melhorar, então certamente D'us nos ajudará a crescer e, apesar dos nossos muitos erros, nos inscreverá no Livro da Vida. 

QUE SEJAMOS INSCRITOS E SELADOS NO LIVRO DA VIDA

SHABAT SHALOM E SHANÁ TOVÁ

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

FORÇA DE VONTADE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KI TAVÔ 5777 

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O E-mail desta semana foi carinhosamente oferecido pela Família Lerner em Leilui Nishmat de: 
Miriam Iocheved bat Mordechai Tzvi z"l


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FORÇA DE VONTADE - PARASHÁ KI TAVÔ 5777 (08 de setembro de 2017)

O Sr. Ernesto já estava muito velhinho. Ele vivia sozinho com a esposa em uma pequena cidade do interior. Estava chegando a época do plantio das sementes e o Sr. Ernesto precisava arar seu campo, mas era um trabalho muito pesado para alguém da sua idade. Para dificultar ainda mais a situação, Jorge, seu filho único, que normalmente o ajudava no trabalho pesado do campo, estava na prisão, falsamente acusado de pertencer a uma quadrilha de roubo a bancos, meses à espera de um defensor público para provar sua inocência. O Sr. Ernesto, já sem esperanças, escreveu uma carta ao filho:
 
"Querido filho, estou triste porque, ao que parece, não vamos conseguir plantar nada neste ano e não sei de onde tiraremos o nosso sustento. Estou velho demais para cavar sozinho a terra. Se você estivesse aqui, eu não teria este problema, mas sei que este ano infelizmente você não poderá me ajudar. Não sei mais o que fazer. Com amor, seu querido pai".
 
Poucos dias depois o pai recebeu a seguinte carta de Jorge:
 
"Querido pai, por favor, eu te imploro, não escave o jardim. Foi lá que eu escondi todo o dinheiro..."
 
Às quatro da manhã do dia seguinte, vários agentes da Polícia Federal apareceram e reviraram o campo inteiro à procura do dinheiro, mas como não encontraram nenhum centavo, foram embora. Confuso, o Sr. Ernesto escreveu para o seu filho contando o que havia acontecido. E assim o filho respondeu:
 
"Pai, agora que o terreno já foi completamente arado, você já pode fazer o plantio. Isto é o máximo que eu posso fazer para te ajudar neste momento. Te amo. Seu filho querido".
 
Quando temos a vontade de fazer algo, nada é impossível. Por isso, é importante repensar nas desculpas, os pequenos "não consigo" que normalmente colocamos como obstáculos em nosso crescimento espiritual.

Nesta semana lemos a Parashá Ki Tavô (literalmente "Quando vocês vierem"), que começa descrevendo uma das Mitzvót que o povo judeu deveria cumprir apenas após a conquista da Terra de Israel, chamada "Mitzvá de Bikurim", que consistia em cada proprietário de terras trazer para Jerusalém uma cesta contendo as primícias (primeiros frutos) de sua colheita. Esta cesta era presenteada ao Cohen (sacerdote) e colocada sobre o altar de sacrifícios. Mas uma das partes mais importantes desta Mitzvá de Bikurim era o proprietário da terra recitar uma extensa declaração de agradecimento a D'us, por Sua bondade incessante e constante, que garantiu a improvável sobrevivência do povo judeu durante a história, como dizemos na Hagadá de Pessach: "Pois não apenas um povo se levantou contra nós para nos exterminar, mas, ao contrário, em cada geração e geração se levantam contra nós para nos exterminar. E D'us nos salva das mãos deles".
 
Nesta declaração de agradecimento, cada pessoa recordava as bondades de D'us desde os dias dos nossos antepassados, como está escrito: "Um arameu tentou matar meu antepassado" (Devarim 26:5). A que acontecimento este versículo se refere? De acordo com Rashi (França, 1040 - 1105), Yaacov Avinu trabalhou 20 anos para seu tio Lavan e, apesar de ter sido enganado centenas de vezes, D'us o protegeu e ele conseguiu juntar uma enorme riqueza. Quando Yaacov resolveu que era hora de voltar para casa, para a Terra de Israel, escondeu sua decisão de Lavan, pois sabia que, usando táticas enganosas, Lavan faria de tudo para não permitir sua saída. Yaacov praticamente fugiu da casa de Lavan, mas foi perseguido e alcançado. Lavan perseguiu Yaacov com a intenção de matá-lo, porém D'us apareceu para Lavan e o ameaçou, advertindo-o que ele não poderia fazer nenhum mal a Yaacov. É com esta salvação do nosso patriarca Yaacov das mãos de Lavan, o arameu, que começamos a declaração de agradecimento da Mitzvá de Bikurim. Se Lavan tivesse sido bem sucedido em seu intento de matar Yaacov, certamente teria sido o fim do povo judeu.
 
Porém, se prestarmos atenção, há algo que nos chama a atenção nas palavras deste agradecimento. Apesar de traduzirmos o versículo como "um arameu tentou destruir meu antepassado", não é isto que está literalmente escrito. As palavras "Arami Oved Avi" significam, literalmente, "um arameu destruiu meu antepassado". Se Lavan não teve sucesso em destruir Yaacov e o povo judeu, por que na Torá está escrito de maneira que aparenta que ele sim teve sucesso em completar seu mau ato?
 
Rashi explica que, apesar de Lavan não ter conseguido alcançar seu intento, D'us considerou como se seu ato tivesse realmente sido realizado, para castigá-lo. E assim acontece com todos os Reshaim (malvados), quando eles intencionam fazer um mau ato, mesmo que por algum motivo externo não consigam cumprir seu intento, é considerado como se tivessem completado sua má ação e eles são castigados por isso.
 
Mas esta explicação de Rashi aparentemente não resolve completamente o problema. O tema predominante na declaração de Bikurim é expressar a nossa gratidão a D'us por toda a bondade que Ele nos fez e faz. Uma vez que fomos salvos das tentativas de Lavan de nos destruir, o benefício que recebemos foi devido à falta de sucesso em seus maus intentos. Então por que expressamos nossa gratidão em termos de seu sucesso? Entendemos que a linguagem "um arameu destruiu meu antepassado" serve para nos ensinar que D'us puniu Lavan como se ele tivesse sido bem sucedido em seus maus atos. Porém, por que esta linguagem também é utilizada para expressar nossa gratidão por termos sido salvos?
 
Além disso, há ainda um grande questionamento filosófico. O Talmud (Kidushin 40a) nos ensina que não apenas as más intenções dos Reshaim são julgadas por D'us como se fossem maus atos, o outro lado também é verdadeiro. Segundo o Talmud, a intenção de um Tzadik (justo) de fazer um bom ato é creditada como se ele realmente tivesse feito o bom ato. Por exemplo, um Tzadik queria cumprir a Mitzvá de "Bikur Cholim" (visitar um doente), mas quando chegou ao hospital, o doente estava dormindo e ele não pôde nem mesmo entrar no quarto para dizer uma Brachá de "Refua Shleima" (cura completa). Apesar de ele não ter feito o ato, é creditado como se este Tzadik tivesse efetivamente visitado o doente. Mas qual é a lógica de D'us punir ou recompensar alguém por algo que ela efetivamente não fez?
 
Explica o Rav Yohanan Zweig que a decisão de uma pessoa de fazer certo ato não garante que ela dará continuidade a isto. Porém, se o ato reflete a própria essência da pessoa, então suas intenções já servem como um compromisso e uma garantia de que a pessoa cumprirá o que ela se dispôs a fazer. Uma vez que uma pessoa se comprometeu de todo o coração a empreender certo esforço, praticamente nenhuma força na natureza pode impedir sua determinação. Consequentemente, se a pessoa não tiver sucesso, então podemos atribuir à intervenção Divina.
 
Portanto, por causa da determinação de um Tzadik em fazer apenas bons atos, sua intenção já é a garantia de seu cumprimento. Mesmo que circunstâncias além do seu controle o impeçam de cumprir seu compromisso, D'us considera como se o ato tivesse sido efetivamente cumprido. Da mesma forma, a determinação dos Reshaim para cometer um mau ato é tão forte que é preciso a intervenção Divina para frustrar seus planos. Por isso, os Reshaim são punidos por sua intenção como se tivessem efetivamente realizado o mau ato.
 
Ao expressar nossa gratidão por termos sido salvos de Lavan, estamos também declarando nossa consciência de que, se Lavan havia decidido em seu coração matar Yaacov e destruir o povo judeu, nada além da intervenção Divina poderia impedir seu sucesso. A maneira pela qual indicamos nosso reconhecimento deste fato é referindo-se ao incidente como se ele realmente tivesse ocorrido. Assim estamos enfatizando, em nosso agradecimento, que nos sentimos ainda mais endividados com D'us pelas Suas bondades,
 
Fica da nossa Parashá um ensinamento muito importante para nossas vidas, conforme afirmam os nossos sábios: "Não há nada que pode impedir a força de vontade". Isto é dito principalmente em relação à nossa espiritualidade. Muitas vezes limitamos o nosso verdadeiro potencial quando pensamos "não consigo". Nosso potencial é muito maior do que imaginamos e somos nós que desistimos sem nem mesmo tentar. Quando realmente acreditamos em um objetivo espiritual, nossa vontade pode nos levar ao sucesso. E mesmo se não conseguirmos atingir o nosso objetivo por motivos que apenas D'us entende, Ele nos recompensará como se tivéssemos realizado. Por isso, não podemos desistir sem ter ao menos tentado.
 
Estamos no meio de Elul, o último mês de preparação antes de Rosh Hashaná. Decisões de crescimento espiritual feitas neste momento podem mudar completamente o nosso ano e o nosso julgamento. O mais importante é a vontade sincera de crescer, de mudar, de sair do comodismo espiritual. Esta vontade, junto com o nosso esforço e a ajuda de D'us, certamente nos levarão ao sucesso em nosso crescimento espiritual. 

QUE SEJAMOS INSCRITOS E SELADOS NO LIVRO DA VIDA

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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