quinta-feira, 25 de agosto de 2016

PEQUENOS GRANDES ATOS DE AMOR - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ EKEV 5776

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PEQUENOS GRANDES ATOS DE AMOR - PARASHÁ EKEV 5776 (26 de agosto de 2016)

Um garoto pobre, com cerca de doze anos de idade, vestido de forma muito humilde, entrou na perfumaria, escolheu um sabonete comum e pediu a Rafael, o proprietário, que embrulhasse para presente. Com orgulho, explicou que era um presente para sua mãe. Rafael ficou comovido diante da simplicidade daquele presente. Olhou com dó para o garoto e teve vontade de ajudá-lo. Pensou em embrulhar, junto com o sabonete comum, algum artigo mais significativo, mas ficou na dúvida. O garoto, notando a indecisão do homem, pensou que ele estava duvidando da sua capacidade de pagar. Colocou a mão no bolso, retirou as moedinhas que tinha juntado com dificuldade e colocou-as sobre o balcão. Rafael ficou ainda mais comovido quando viu as moedas, de valor tão insignificante. Concluiu que se o garoto pudesse, certamente compraria algo bem melhor para a mãe. Lembrou-se de sua própria mãe. Ele também tinha sido muito pobre em sua infância, e muitas vezes quis presentear sua mãe, mas nunca teve condições. Quando finalmente conseguiu seu primeiro emprego, ela já havia partido deste mundo. Impaciente com a demora, o garoto perguntou:
 
- Moço, falta alguma coisa?
 
- Não - respondeu Rafael - É que, de repente, eu me lembrei da minha mãe. Ela morreu quando eu ainda era muito jovem. Sempre quis dar um presente para ela, mas nunca consegui comprar nada.
 
Com a espontaneidade natural das crianças, o garoto perguntou:
 
- Nem um sabonete?
 
Rafael ficou em silêncio. Pensou um pouco e desistiu da ideia de melhorar o presente do garoto. Embrulhou o sabonete com o melhor papel que tinha na loja, colocou uma fita e entregou para o garoto sem dizer mais nada. Quando ficou sozinho, as lágrimas começaram a sair. Como é que nunca havia pensado em dar algo pequeno e simples para sua mãe? Sempre havia entendido que presente deveria ser alguma coisa significativa, tanto que, minutos antes, havia sentido dó da simples compra do garoto e chegou a pensar em melhorar o seu presente. Comovido, Rafael aprendeu naquele dia uma grande lição. Junto com o sabonete do menino vinha algo muito mais importante e grandioso, o melhor de todos os presentes: o gesto de amor. 

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A Parashá desta semana, Ekev (literalmente "Se"), começa com uma introdução que condiciona o recebimento de recompensas ao cumprimento das Mitzvót da Torá, como está escrito: "E será, se vocês escutarem estes mandamentos, e os observarem, e os cumprirem, então D'us cuidará de vocês... Ele os amará, e os abençoará, e os multiplicará" (Devarim 7:12,13). O entendimento simples destas palavras é que, se demonstrarmos o nosso amor por D'us, escutando Suas ordens e cumprindo Suas Mitzvót, então Ele se comportará conosco na mesma medida e nos amará.
 
Porém, algo nos chama a atenção nas palavras de Rashi (França, 1040 - 1105), um dos maiores comentaristas da Torá, conhecido por trazer normalmente a explicação mais simples e direta dos versículos. Porém, neste versículo, percebemos que ele "fugiu" da explicação mais simples, que seria dizer que a Torá condiciona a recompensa recebida ao cumprimento de todas as Mitzvót da Torá. Ao invés disso, Rashi cita um Midrash (parte da Torá Oral) que explica que a palavra "Ekev", que significa a condição "se", também significa "calcanhar". Ele diz que o versículo não se refere a todas as Mitzvót, e sim especificamente às Mitzvót que nós "pisamos sobre elas com o nosso calcanhar", isto é, Mitzvót que desprezamos por considerarmos como sendo menos importantes. De acordo com esta explicação, a Torá está nos advertindo a não desprezarmos estas Mitzvót que consideramos menos importantes.
 
Esta explicação de Rashi desperta um questionamento. A explicação mais simples do versículo é muito mais abrangente e incluiu todas as Mitzvót da Torá. Então por que Rashi abandonou a explicação mais simples e abrangente, e escolheu trazer uma explicação que se aplica somente a um grupo reduzido de Mitzvót? Por que o amor de D'us estaria condicionado apenas às Mitzvót que têm menos importância aos nossos olhos?
 
Uma pergunta semelhante surge em relação a outro ensinamento dos nossos sábios: "Seja tão meticulosos no cumprimento das Mitzvót menos importantes como no cumprimento das Mitzvót mais importantes, pois você não sabe como as Mitzvót serão recompensadas" (Pirkei Avót 2:1). Porém, o que esta Mishná (parte da Torá Oral) está nos ensinando? Se a própria Mishná reconhece que existem Mitzvót mais importantes e outras menos importantes, por que a conclusão é que talvez D'us não nos recompensará de maneira proporcional ao valor das Mitzvót? Se há Mitzvót mais importantes, não seria mais lógico dar ênfase ao cumprimento delas?
 
Explica o Rav Yohanan Zweig que quanto mais forte é o relacionamento entre duas pessoas, é mais comum elas sentirem liberdade de pedir coisas relativamente simples e triviais uma à outra. Entretanto, se o relacionamento não é tão forte, as duas partes tendem a limitar os pedidos a assuntos de maior importância. Por exemplo, uma pessoa não pensaria duas vezes em acordar algum conhecido às duas da manhã para pedir um auxílio médico urgente, mas a mesma pessoa acharia inconcebível a ideia de acordar um conhecido às duas da manhã para pedir a ele um pote de sorvete. No outro extremo, uma esposa não veria nenhum problema em pedir para que seu marido compre para ela um pote de sorvete às duas da manhã, em especial se ela estiver grávida. Isto quer dizer que sentir liberdade de fazer pedidos simples é uma demonstração de amor e conexão.
 
Esta ideia se aplica também espiritualmente. Nós somos naturalmente mais cuidadosos com as Mitzvót que consideramos como sendo mais importantes e fundamentais, enquanto naturalmente cumprimos com menos entusiasmo e cuidado as Mitzvót que não consideramos como princípios fundamentais. Entretanto, isto é um grande erro, pois quanto mais forte é um relacionamento, mais apta está a pessoa a concordar com pedidos aparentemente triviais e simples. Portanto, é justamente através das Mitzvót mais simples e básicas que nós demonstramos o nosso compromisso e expressamos o nosso amor por D'us. É por isso que o cumprimento das Mitzvót "leves", que parecem ser menos sérias, é justamente o que mede o nosso relacionamento com D'us.
 
Com este conceito podemos entender o que a Mishná de Pirkei Avót está nos ensinando. Há duas maneiras através das quais D'us pode definir a recompensa de uma Mitzvá: através da sua importância ou através do comprometimento e amor refletido no cumprimento desta Mitzvá. Como não nos foi revelado qual das duas medidas D'us usará na definição da nossa recompensa, então é importante sermos igualmente cuidadosos com ambos os tipos de Mitzvót, pois um tipo tem uma maior recompensa por sua importância, enquanto outro tipo tem uma maior recompensa pela sua demonstração de amor e comprometimento.
 
Assim também é possível entender o motivo pelo qual Rashi abandonou a explicação convencional, mais abrangente, e optou por trazer uma explicação baseada no Midrash, mais limitada. O versículo descreve explicitamente o cumprimento de certas Mitzvót cuja recompensa será o amor de D'us. Como D'us se comporta conosco "Midá Kenegued Midá" (medida por medida), então certamente trata-se de Mitzvót que demonstram um nível maior do nosso amor por D'us. É por isso que Rashi entende que as Mitzvót às quais o versículo se refere são aquelas que consideramos menos importantes, pois são justamente elas que, quando cumpridas com cuidado, entusiasmo e alegria, verdadeiramente demonstram o nosso enorme amor por D'us.
 
Precisamos colocar no coração este ensinamento para conseguirmos cumprir com alegria e entusiasmo mesmo as Mitzvót mais simples do cotidiano. É fácil se sentir inspirado na Tefilá de Yom Kipur, mas o que demonstra de verdade o nosso amor por D'us é tentar se inspirar nas Tefilót do dia-a-dia, mesmo com toda a correria e obstáculos que surgem quando tentamos rezar com concentração. É fácil sentir a santidade da mesa de Shabat, mas o que ressalta o nosso amor pelas Mitzvót é sentir também a santidade da mesa durante a semana. É mais fácil sentir temor no cumprimento das Mitzvót da Torá, mas é uma demonstração muito maior de conexão espiritual e temor a D'us quando também conseguimos cumprir, com o devido respeito, as Mitzvót que foram decretadas pelos nossos sábios. Assim, os pequenos atos do cotidiano se transformam, através do entusiasmo e da alegria, em atos gigantescos.
 
Este conceito também se aplica ao nosso relacionamento com as outras pessoas. Muitas vezes queremos demonstrar o quanto gostamos ou nos importamos com alguém, e esperamos algum momento especial e grandioso para demonstrar o que sentimos. Mas isto é um grande erro, pois são justamente os pequenos atos do cotidiano que demonstram o quanto nos importamos com as pessoas. Quando damos um presente a alguém, muitas vezes o que mais toca a pessoa não é o conteúdo do embrulho, e sim as palavras que estão escritas no cartão. O nome "presente" já indica que o principal objetivo de darmos uma lembrança a alguém é demonstrar o quanto queremos estar presentes na sua vida. Por isso, a melhor maneira de demonstrar o nosso amor não são com grandes presentes, e sim com pequenas atitudes diárias de carinho, respeito e atenção.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

APRENDENDO A SER MISERICORDIOSO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAETCHANAN 5776

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APRENDENDO A SER MISERICORDIOSO - PARASHÁ VAETCHANAN 5776 (19 de agosto de 2016) 

 

Dois judeus da Lituânia brigaram e um deles, completamente fora de si, começou a difamar o outro. Porém, como ele não era uma má pessoa, quando Rosh Hashaná e Yom Kipur começaram a se aproximar ele ficou extremamente incomodado e arrependido pelo seu mau ato. Juntando todas as suas forças para passar por cima do seu ego e da vergonha, ele dirigiu-se ao seu companheiro e pediu perdão com sinceridade. Porém, para sua surpresa, a vítima se recusou a perdoá-lo, citando uma Halachá (Lei judaica) de que não havia obrigação de perdoar uma difamação. O transgressor ficou desesperado, não sabia mais o que fazer. O Rav Yitzchak de Volozhin (Lituânia, 1780 - 1849), que havia presenciado a conversa, chamou a vítima de canto e disse:

- Sabe, você realmente tem razão, a Halachá não nos obriga a perdoar alguém que nos difamou. Mas não se esqueça que Rosh Hashaná, o Dia do Julgamento, está chegando. Neste dia, todos os nossos atos passam diante de D'us e são detalhadamente analisados. Quando somos misericordiosos com os outros e nos comportamos "Lifnim Mishurat HaDin" (além do que é exigido pela lei judaica), D'us se comporta "Midá Kenegued Midá" (medida por medida) e nos julga com Misericórdia, não sendo tão rigoroso. Mas se formos rigorosos no julgamento dos outros, então D'us também será extremamente rigoroso no nosso julgamento. Você está pronto para um julgamento tão rigoroso de D'us quanto o que você está fazendo com seu companheiro, usando a justiça estrita ao invés da misericórdia?
 
A vítima da difamação, ao escutar as palavras do Rav Yitzchak, imediatamente aprendeu a lição e perdoou o homem que o havia caluniado. 

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A Parashá desta semana, Vaetchanan (literalmente "E implorei"), enumera novamente os dez mandamentos que o povo judeu recebeu de D'us no Monte Sinai. E o final da Parashá traz um ensinamento muito importante: "E você fará o que é certo e bom aos olhos de D'us, para que Ele faça bem para você" (Devarim 6:18). Nossos sábios explicam que este versículo é a fonte de Torá de que devemos nos comportar "Lifnim Mishurat HaDin", isto é, que devemos evitar sermos muito rigorosos e exigentes com os outros em relação à aplicação da lei, e devemos  saber perdoar em certas situações, mesmo quando temos razão.
 
O Talmud (Baba Metsia 30b) traz um exemplo na prática: uma pessoa encontra um objeto perdido que, por certas condições específicas, poderia ficar com ele de acordo com a Halachá. Por outro lado, a pessoa sabe quem é o verdadeiro dono do objeto. Neste caso, baseado neste versículo da Parashá, o Talmud diz que o correto seria devolver o objeto ao dono, apesar da permissão técnica de ficar com ele. Outro exemplo trazido pelo Talmud (Baba Metsia 108a) é quando um terreno é colocado à venda e, apesar de haver outras pessoas interessadas, é necessário dar a preferência de compra ao dono do terreno vizinho. E como estes, há inúmeros exemplos de situações do nosso cotidiano nas quais devemos nos comportar "Lifnim Mishurat HaDin".
 
De acordo com o Ramban zt"l (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270), apesar da Torá não escrever explicitamente em todos os casos que devemos nos comportar "Lifnim Mishurat HaDin", aprendemos deste versículo da Parashá a constantemente nos esforçar para tratar as pessoas de uma maneira compreensiva, sempre buscando evitar o uso das leis da Torá de forma muito estrita e rígida. O Talmud (Baba Metsia 30b) nos ensina que o nosso Beit Hamikdash (Templo Sagrado) foi destruído porque naquela geração as pessoas eram muito rigorosas umas com as outras e aplicavam sempre a lei de forma muito estrita.
 
Porém, é difícil entender este ensinamento do Talmud. A priori, se comportar "Lifnim Mishurat HaDin" é justamente fazer mais do que somos obrigados. Então por que a falha em se comportar desta maneira teve uma consequência tão negativa e uma punição tão rigorosa de D'us? Faz sentido dizer que o Beit Hamikdash foi destruído apenas pelo fato das pessoas terem aplicado a lei de forma estrita e rigorosa?
 
A pergunta fica ainda mais difícil quando o Talmud (Yoma 9b) afirma que o Primeiro Beit Hamikdash foi destruído por causa das três transgressões mais graves da Torá, que são assassinato, idolatria e imoralidade, e o Segundo Beit Hamikdash foi destruído por causa do ódio gratuito que havia dentro do povo judeu. Afinal, qual foi a verdadeira causa da destruição dos Templos, estas graves transgressões ou a aplicação rígida da lei?
 
Explica o Rav Yehonasan Gefen que a falha em tratar as pessoas "Lifnim Mishurat HaDin" reflete um profundo equívoco na atitude da pessoa em relação ao seu Serviço Divino. De acordo com o Ramban, o ensinamento "e você fará o que é certo e bom" seria o paralelo da Mitzvá de "Kedoshim Tihiu" (Sejam Sagrados) aplicado à área de "Bein Adam Lehaveiró" (entre a pessoa e seu semelhante). Segundo o Ramban, o "Kedoshim Tihiu" é uma advertência para evitar que a pessoa cumpra todas as Mitzvót e ainda assim seja um "mau-caráter com permissão da Torá". Mas como isto é possível? A pessoa pode ser extremamente rigorosa em não transgredir nenhuma Mitzvá da Torá e, ao mesmo tempo, pode não ter nenhum interesse em se elevar espiritualmente nas áreas de "Reshut" (atos que não são intrinsecamente Mitzvót) como, por exemplo, o que a pessoa faz em seus momentos de lazer, quanto ela dorme ou a quantidade de comida que ela come.
 
A razão por trás deste tipo de comportamento é que a pessoa acredita na veracidade da Torá e, portanto, que ela deve ser cumprida com todo o cuidado. Porém, a pessoa demonstra que não entendeu a verdadeira perspectiva da Torá, pois não se interessa em se elevar espiritualmente. A consequência é que ela fica presa em metas do mundo material, com objetivos como alcançar os desejos físicos e acumular riquezas. Por reconhecer a veracidade da Torá, ela nunca cometerá de forma intencional uma transgressão, mas ao mesmo tempo é completamente desinteressada de se elevar nas áreas nas quais não é "tecnicamente" obrigada.
 
Um paralelo deste fenômeno pode ocorrer na área de "Bein Adam LeHaveiró". A pessoa pode reconhecer a necessidade de seguir as leis da Torá, mas não ter nenhum interesse de se conectar com o que está por trás destas leis. A consequência disso é que a pessoa sempre vai aplicar a lei de forma estrita, mesmo quando isso causa sofrimentos para outras pessoas. Por exemplo, caso encontre um objeto perdido que tecnicamente é seu, não levará em consideração o sofrimento do seu companheiro que perdeu o objeto.
 
É por isto que a Torá nos ensinou o versículo "E você fará o que é certo e bom". Precisamos olhar para a Torá e para as Mitzvót da maneira correta, aprender o respeito que a Torá exige de nós, em relação a D'us e em relação ao nosso semelhante. Através das Mitzvót, a Torá nos ensina a sermos mais misericordiosos e não tão rigoroso com os outros, desenvolvendo um genuíno senso de amor ao próximo. Devemos tratar cada semelhante com o mesmo respeito e compaixão que gostaríamos de ser tratados. Quando alguém encontra um objeto perdido, deve sentir a dor daquele que perdeu o objeto. Quando alguém empresta dinheiro a um pobre que não tem como pagar, deve sentir misericórdia e ser flexível.
 
Com este ensinamento é possível entender o que o Talmud está nos transmitindo quando afirma que o Beit Hamikdash foi destruído pelo fato das pessoas estarem sendo muito rigorosas e estritas umas com as outras. Isto demonstra que aquela geração havia esquecido o "faça o certo e bom", havia perdido a lição de que não se deve tratar outro ser humano de maneira muito dura e sem misericórdia. Este comportamento rígido não se enquadra com o que a Torá espera de nós em relação aos outros seres humanos.
 
Podemos entender também a contradição que existe no Talmud em relação ao motivo da destruição do Beit HaMikdash. De acordo com o Rav Yitzchak Vologzin, obviamente que a destruição do Beit HaMikdash foi consequência das terríveis transgressões descritas no Talmud, algumas tão graves que um judeu deveria estar disposto até mesmo a abdicar de sua vida para não transgredi-las. Porém, o Talmud quer nos ensinar que quando tratamos nossos companheiro com misericórdia, "Lifnim Mishurat HaDin", e não somos rigorosos demais em cobrar nossos semelhantes, Hashem também se comporta da mesma maneira, Midá Kenegued Midá, e nos perdoa mesmo das transgressões mais graves. Entretanto, quando D'us viu as pessoas se comportando uns com os outros de uma maneira muito estrita e rigorosa, não se perdoando, então Ele também foi extremamente rígido no julgamento do povo, o que resultou na destruição do nosso Beit Hamikdash.
 
Quando se trata de aplicar a lei em relação às outras pessoas, devemos ser lenientes e compreensivos. Se queremos ser rigorosos, que sejamos em relação a nós mesmos, para que possamos cumprir cada Mitzvá de maneira detalhada e correta. Cobrando cada vez mais de nós mesmos e cada vez menos dos outros, certamente estaremos dando a nossa maior contribuição para a reconstrução do nosso Beit Hamikdash.


SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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