sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

ACREDITANDO EM MILAGRES - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ TOLDOT 5777

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ACREDITANDO EM MILAGRES - PARASHÁ TOLDOT 5777 (02 de dezembro de 2016)

"Uma pobre senhora, com visível ar de tristeza no rosto, entrou em um armazém. Aproximou-se do proprietário, um homem conhecido pelo seu jeito grosseiro, e pediu-lhe alguns mantimentos. Ela explicou que seu marido estava muito doente e não podia trabalhar, e que tinha sete filhos para alimentar, mas se comprometia a pagar assim que pudesse por todos os produtos. O dono do armazém deu risada dela e pediu que ela se retirasse do seu estabelecimento. Pensando na necessidade da sua família, ela não se importou em se humilhar e implorar mais uma vez. Ele lhe respondeu rispidamente que não vendia nada a crédito em sua loja e, se ela quisesse algo, que arrumasse o dinheiro em outro lugar e voltasse para comprar o que precisava. Em pé no balcão ao lado, um freguês que escutou a conversa se aproximou do dono do armazém e lhe disse:
 
- Por favor, dê para esta mulher o que ela necessita, eu pago.
 
Mas o comerciante ainda não estava satisfeito com a humilhação que havia causado à mulher. Ele perguntou se ela tinha a lista de mantimentos que necessitava. A mulher, visivelmente envergonhada, balançou afirmativamente a cabeça. O comerciante então quis fazer uma piada:
 
- Vamos fazer o seguinte. Não é necessário este senhor pagar nada. Coloque a sua lista na balança e, de acordo com o quanto ela pesar, eu lhe darei em mantimentos.
 
Por dentro, o dono do armazém ria, pois sabia que o peso da lista nem mexeria a balança. A pobre mulher hesitou por alguns instantes. Com a cabeça curvada, retirou da bolsa um pedaço de papel, escreveu algo e colocou o papel suavemente na balança. Para a admiração dos três, o prato da balança com o papel desceu como se um enorme peso tivesse sido colocado. A mulher começou a colocar mantimentos no outro prato da balança, mas a balança não se equilibrava. Ela continuou colocando mais e mais mantimentos, até que não havia mais nenhum espaço na balança. Somente então a balança se equilibrou. O dono do armazém ficou parado por alguns instantes, olhando para a balança, tentando entender o que havia acontecido. Finalmente, ele tomou coragem, pegou o pedaço de papel da balança e ficou espantado. Não era uma lista de compras, e sim uma súplica daquela pobre mulher, que dizia: "D'us, Você conhece as minhas necessidades. Eu deixo tudo em Suas mãos". A mulher recolheu suas compras no mais completo silêncio, agradeceu e foi embora."
 
Só D'us sabe o quanto pesa uma Tefilá (reza) vinda do coração. Não existe nada impossível para D'us. Ele pode fazer qualquer milagre, pois pode quebrar as leis da natureza que Ele mesmo criou. Jamais desista. 

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A Parashá desta semana, Toldot (literalmente "Gerações"), começa descrevendo a milagrosa gravidez da nossa matriarca Rivka. Por 20 anos ela não conseguia engravidar, até que Rivka e Ytzchak rezaram muito para D'us e pediram um filho, como está escrito: "E suplicou Ytzchak para D'us, em frente à sua esposa, pois ela era estéril. E D'us aceitou sua súplica, e sua esposa Rivka engravidou" (Bereshit 25:21). De acordo com Rashi (França, 1040 - 1105) a linguagem da Torá demonstra que, embora ambos tenham rezado pelo nascimento de um filho, apenas a Tefilá (reza) de Ytzchak foi atendida, enquanto a Tefilá de Rivka foi rejeitada. Rashi explica que não se compara a Tefilá de um Tzadik (Justo) filho de um Tzadik, como Ytzchak filho de Avraham, com a Tefilá de um Tzadik filho de um Rashá (malvado), como Rivka filha de Betuel, um homem de péssima índole. Desta gravidez nasceram gêmeos, Yaacov e Essav.
 
Mas de acordo com o Rav Yohanan Zweig, este ensinamento da Torá desperta um enorme questionamento. Provavelmente Ytzchak e Rivka pediram em suas Tefilót exatamente a mesma coisa, isto é, que pudessem ter um filho. Portanto, por que a Torá ressalta que apenas a Tefilá de Ytzchak foi escutada? Qual é a implicação prática de D'us ter escutado apenas Ytzchak e não Rivka?
 
Os detalhes da gravidez de Rivka também despertam questionamentos. A Torá nos ensina que Rivka passou por uma gravidez muito conturbada, como está escrito: "E os filhos se agitaram dentro dela" (Bereshit 25:22). Rashi explica que a linguagem "Vaitrotzatzu", que significa "se agitaram", vem da palavra "Ritza", que significa "corrida". Sempre que Rivka passava pelo Centro de Estudos de Torá comandado por Shem e Ever, descendentes de Noach, Yaacov corria para sair da sua barriga, e sempre que ela passava por um centro de idolatrias, Essav corria para sair da sua barriga. Mas sabemos que nos primeiros estágios de formação, o feto não tem nem mesmo os membros formados! O que a Torá quer nos ensinar quando utiliza a linguagem "correr" ao se referir a fetos no útero de sua mãe?
 
Outro questionamento é o fato que Rivka, incomodada e preocupada com as sensações fisiológicas experimentadas em sua gravidez, foi até o Centro de Torá se aconselhar com Shem, buscando uma resposta de D'us. Porém, o Rav Avraham ben Meir zt"l (Espanha, 1092 - 1167), mais conhecido como Ibn Ezra, explica que antes de buscar aconselhamento Divino, Rivka conversou com outras mulheres para saber se as sensações que ela estava experimentando eram normais em mulheres grávidas. Quando ela foi informada por todas as mulheres com quem conversou que seus sintomas não eram normais, somente então ela procurou o conselho de D'us. Mas que desconforto era este, diferente do que todas as outras mulheres grávidas sentiam? Não é normal a mulher sentir o bebê se mexendo no útero, como Rivka sentiu?
 
Além disso, não encontramos nesta Parashá nenhuma menção de que D'us abriu o útero de Rivka, como aconteceu com Leá e Rachel, como está escrito: "E D'us viu que Leá era desprezada, então Ele abriu seu útero" (Bereshit 29:31) e "E D'us lembrou-se de Rachel, e D'us a escutou, e Ele abriu seu útero" (Bereshit 30:22). Por que a gravidez de Rivka foi tão diferente de qualquer outra gravidez descrita na Torá? E, finalmente, por que depois desta gravidez Rivka não teve mais nenhum filho?
 
Explica o Rav Yohanan Zweig que realmente Rivka não teve uma gravidez normal. Citando o Rabeinu Bechaye zt"l (Espanha, 1255 - 1340), ele ensina que o que mais incomodou Rivka foi que a sensação dos bebês se mexendo dentro dela ocorreu desde o início da gravidez. Isto era algo completamente fora do normal, pois no início da gravidez as mulheres não sentem absolutamente nenhum movimento dos bebês dentro delas. Portanto, de acordo com esta explicação, a gravidez de Rivka não envolveu desenvolvimento fetal no útero. Logo após a concepção, D'us fez um enorme milagre e criou dentro de Rivka dois seres humanos já completamente desenvolvidos, com todos os seus órgãos e membros já prontos, mas em tamanho miniatura. Este conceito é reforçado pelas palavras do versículo "E disse D'us para ela: 'Duas nações estão na sua barriga'" (Bereshit 25:23). A palavra utilizada não foi "Rechem", que significa "útero", e sim "Bitná", que literalmente significa "sua barriga". Isto indica que os bebês não necessitaram de um útero para se desenvolver.
 
O Talmud (Yevamot 64a) afirma que Rivka era incapaz de dar à luz uma criança. Em termos biológicos, não havia nenhuma possibilidade de Rivka ter um bebê. Por isso eles tentaram por 20 anos que Rivka engravidasse, sem nenhum sucesso. Porém, houve uma diferença muito grande entre a Tefilá de Rivka e a Tefilá de Ytzchak. Enquanto Rivka rezou para que se desenvolvessem os processos e componentes biológicos necessários para ela poder ter um filho, Ytzchak rezou apenas para que ela desse à luz uma criança. É por isso que a Torá enfatiza que as Tefilót de Ytzchak foram escutadas, mas não as Tefilót de Rivka, pois na realidade o corpo dela não se desenvolveu, em termos biológicos, para que pudesse ter filhos. Não foi um milagre oculto sob as forças da natureza, foi um milagre aberto. Tecnicamente Rivka permaneceu estéril, mesmo depois de dar à luz. É por isso que depois disso Rivka nunca mais teve filhos.
 
A Parashá está nos ensinando algo incrível. Precisamos saber que não existe natureza, tudo é a "Mão de D'us". Algumas vezes Ele faz milagres ocultos, encobertos pelas leis da natureza. Porém, quando é Sua vontade, Ele também pode fazer milagres abertos, que quebram as leis da natureza. Não podemos nunca desanimar, em nenhuma situação, mesmo quando tudo parece perdido, pois foi Ele quem criou as leis, e Ele pode quebrá-las quando bem entender. Temos a obrigação de viver de acordo com as leis da natureza, para não nos apoiarmos em milagres. Temos que fazer sempre a nossa parte, para que não seja necessário D'us intervir de uma maneira mais explícita, quebrando as leis da natureza. Porém, temos que saber que nós estamos limitados pelas leis da natureza, mas não D'us. E Ele justamente nos deu a força da Tefilá para nos conectarmos diretamente a Ele. D'us é Misericordioso, Ele diariamente aguarda nossos pedidos e escuta nossas Tefilót. A natureza é apenas uma capa encobrindo a Mão de D'us. Na verdade, tudo o que ocorre é um grande milagre. Por isso, nunca desista, sempre há esperança.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

ENSINANDO COM EXEMPLOS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ CHAIEI SARÁ 5777

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ENSINANDO COM EXEMPLOS - PARASHÁ CHAIEI SARÁ 5777 (25 de novembro de 2016)

"O Rav Shalom Schwadron zt"l (Israel, 1912-1997) estudou em sua juventude na Yeshivá de Chevron. Infelizmente muitos judeus naquela época estavam afastados da Torá e cometiam transgressões por desconhecimento. Como na época ainda não havia máquinas de barbear, as pessoas iam até a barbearia para fazer a barba com navalha, uma grave transgressão da Torá. Os alunos da Yeshivá de Chevron decidiram fazer um revezamento, de forma que todos os dias algum estudante de Torá ficava na porta da barbearia orientando os judeus que não sabiam da proibição.
 
Certa vez era o turno do Rav Shalom. Ele estava na porta da barbearia quando viu um senhor judeu entrando. O Rav Shalom chamou-o e, educadamente, explicou a gravidade de fazer a barba com navalha, comparável à transgressão de comer cinco vezes carne de porco. O senhor ficou muito agradecido pelos esclarecimentos, aceitou não entrar na barbearia e foi embora. Porém, quando foi novamente turno do Rav Shalom, ele viu aquele mesmo senhor novamente entrando na barbearia. Curioso, o Rav Shalom questionou delicadamente se não havia ficado clara a explicação sobre a gravidade de fazer a barba com navalha. O senhor então respondeu para ele:
 
- A verdade é que ficou bem claro quando conversamos. Porém, no primeiro Shabat após a nossa conversa, quando eu fui à sinagoga, percebi que haviam afixado uma folha explicando sobre a proibição de fazer a barba com navalha. Ao lado desta folha havia outro papel afixado, ressaltando a grave proibição de conversar durante a Tefilá (reza). Mas eu percebi, durante toda a Tefilá, que muitas pessoas conversavam despreocupadamente. Então entendi que, se conversar durante a Tefilá não é algo tão grave, então fazer a barba com navalha também não deve ser tão grave..."
 
Explica o Rav Shlomo Levenstein Shlita que através de cada ato que fazemos estamos sendo exemplos para os outros. Pessoas corretas se tornam bons modelos e aproximam os outros do caminho correto, mas pessoas não corretas se tornam péssimos modelos e podem desviar pessoas do caminho correto. 

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Um dos pontos centrais da Parashá desta semana, Chaiei Sará (literalmente "A vida de Sara"), é o casamento de Ytzchak com Rivka. Após quase ter sacrificado Ytzchak, Avraham se preocupou que seu filho ainda não havia se casado e poderia ter deixado o mundo sem nenhum descendente. Avraham então decidiu procurar para Ytzchak uma esposa, mas como eles viviam entre os Knanim, um povo que havia sido amaldiçoado desde a época de Noach (Noé), Avraham não queria casar seu filho com uma mulher de lá. Por outro lado, após Ytzchak ter sido elevado sobre o altar como um Korban (sacrifício) para D'us, ele ganhou um novo status de santidade e não podia mais sair de Israel, uma terra que também tem mais santidade. Então como ele se casaria? Avraham mandou seu fiel escravo Eliezer para sua terra natal, para a casa de seus parentes, com a missão de trazer de lá uma esposa para seu filho.
 
Eliezer sentiu o peso da responsabilidade de sua importante missão. Procurar uma esposa adequada a alguém em um nível tão elevado quanto Ytzchak não era algo simples. Mas ele aceitou o desafio e rezou muito para ter sucesso em sua missão. D'us escutou suas rezas e o guiou, com Hashgachá Pratid (Supervisão Particular), até ele encontrar Rivka, uma Tzadeket (mulher justa) com excelentes traços de caráter. Eliezer sentou-se para conversar com os pais e com o irmão de Rivka e, para convencê-los a deixá-la partir para se casar com Ytzchak, descreveu todos os detalhes que deixavam claro que a "mão de D'us" estava por trás dos acontecimentos. A família de Rivka concordou e ela foi para a terra de Israel casar-se com Ytzchak e transformar-se em uma das nossas matriarcas.
 
Normalmente a Torá é muito sucinta. Inclusive, muitos ensinamentos são aprendidos de maneira indireta, apenas através de indicações na Torá. Mas prestando atenção nesta Parashá, percebemos que a Torá se alongou de maneira incomum quando descreveu cada detalhe dos atos de Eliezer. Além disso, ao invés da Torá simplesmente dizer que Eliezer contou tudo o que aconteceu para a família de Rivka, a Torá se alonga escrevendo toda a conversa e repetindo todos os detalhes. Entenderíamos se a Torá se alongasse assim para descrever os atos dos patriarcas, mas por que se alongar tanto nos atos de Eliezer, um simples escravo de Avraham?
 
Segundo Rashi (França, 1040 - 1105), a repetição e o detalhamento da história de Eliezer, algo que foge da forma compacta da Torá, são para nos ensinar que, aos olhos de D'us, é melhor a conversa de um escravo dos patriarcas do que a Torá dos seus descendentes. Mas o que Rashi quis dizer com isso? O há de tão especial para aprendermos de Eliezer que justificaria estas "palavras a mais" da Parashá?
 
Explica o Rav Aharon Kotler zt"l (Bielorússia, 1891 - EUA 1962) que no Monte Sinai foram entregues a Moshé, e posteriormente transmitidas aos sábios do povo judeu, muitas leis e regras de como estudar cada palavra da Torá, além de muitos segredos contidos nela. Na realidade, para ensinar Halachót (Leis judaicas), em geral não há necessidade de se alongar muito. Porém, o mesmo não acontece em relação às nossas Midót (traços de caráter) e o Derech Eretz (comportamento), que não são tão fixos e bem definidos como as Halachót, e muitas vezes dependem da situação, do momento e de sentimentos do coração envolvidos. Então como fazer para aprender sobre Midót e Derech Eretz? A melhor maneira é estarmos próximos dos sábios e aprender diretamente observando os atos deles. Apesar de ser muito importante o estudo de livros que nos ensinam sobre Midót e Derech Eretz, além de um direcionamento e acompanhamento constantes de um rabino que possa nos orientar, nestas áreas o melhor aprendizado é através dos exemplos.
 
Se prestarmos atenção no livro de Bereshit, o primeiro dos cinco livros da Torá, praticamente não encontraremos ensinamentos de Mitzvót. Na Parashá Bereshit, D'us nos deu a primeira Mitzvá, de "Pru Urvu" (crescer e multiplicar); na Parashá Noach, D'us nos ensinou a Mitzvá de Brit-Milá (circuncisão); e na Parashá Vayerá, D'us nos ensinou a Mitzvá de "Guid Hanashê" (proibição de comer o nervo ciático). Isto significa que, das 613 Mitzvót da Torá, o Livro de Bereshit inteiro nos ensina apenas três Mitzvót! Então por que este livro é tão importante? Justamente por nos ensinar os fundamentos das Midót e do Derech Eretz através do exemplo prático dos patriarcas.
 
Com este ensinamento podemos entender o motivo da Parashá se alongar tanto. Apesar de Eliezer ser um escravo, ele não era uma pessoa simples. Era um homem extremamente sábio e íntegro, e sua convivência com Avraham transformou-o em um "Mentch" (ser humano descente). Portanto, do comportamento de Eliezer, e de todos os detalhes de como ele procurou e encontrou Rivka, podemos aprender muito. Por exemplo, quando Eliezer foi procurar uma esposa para Ytzchak, ele focou nos traços de caráter, procurando alguém com boas Midót e com bondade no coração, ao invés de se preocupar se a moça vinha de alguma família importante e influente. Além disso, também aprendemos muito da incrível confiança de Eliezer na Providência Divina e a certeza de que todo sucesso está apenas nas mãos de D'us. Porém, talvez o que mais nos chama a atenção no comportamento de Eliezer é a forma como ele se apresentou à família de Rivka. Ele poderia ter dito que era o "camareiro chefe" de Avraham, um posto comum entre os reis e pessoas importantes da época. Ele poderia ter contado que era o homem de confiança de Avraham, a pessoa a quem Avraham confiava sua casa e seus bens. Ele poderia ter contado que, por sua integridade e sabedoria, D'us havia feito um milagre e o longo caminho de viagem à casa dos parentes de Avraham havia sido encurtado. Mas Eliezer preferiu se apresentar como "Eu sou o escravo de Avraham" (Bereshit 24:34). Não por medo que depois as pessoas descobririam que ele era um escravo, e sim por sua incrível humildade.
 
Também prestando atenção nos atos de Rivka aprendemos muito sobre Midót e Derech Eretz. Quando Eliezer foi escolher uma esposa para Ytzchak, ele parou ao lado de um poço de água e fez uma condição para escolher a mulher que estaria apta a se casar com alguém no nível de Ytzchak: "E será, a jovem para quem eu disser 'baixe o seu jarro e eu beberei', e ela disser 'beba, e eu também darei de beber aos seus camelos', esta Você terá designado para Seu servo, para Ytzchak" (Bereshit 24:14). Porém, Rivka fez ainda mais bondade do que Eliezer tinha imaginado. Ela primeiro ofereceu água a Eliezer, mas somente quando ele havia terminado de beber foi que ela também ofereceu água aos camelos. Por que? Em primeiro lugar, pois os Tzadikim falam pouco e fazem muito. Portanto, não era apropriado prometer muitas coisas antes de fazê-las. Além disso, às vezes a pessoa se sente desconfortável ao receber muitas bondades. Rivka foi oferecendo a bondade aos poucos, uma bondade de cada vez, para que Eliezer não se sentisse desconfortável. Todos estes detalhes, que deixam a Parashá longa e "fora dos padrões", foram planejados e escritos por D'us justamente para nos ensinar as Halachót de Derech Eretz.
 
É muito importante aprender sobre Midót e Derech Eretz, pois através desta sabedoria podemos fazer muito Kidush Hashem (Santificar o Nome de D'us), enquanto a falta desta sabedoria pode causar muito Chilul Hashem (Denegrir o Nome de D'us). Estamos sempre na "vitrine", sendo observados e analisados pelas outras pessoas. Somos exemplos de conduta e podemos influenciar, positivamente ou negativamente, o comportamento dos outros. Uma pessoa que chega pontualmente na Tefilá incentiva os outros a também chegarem pontualmente, mas alguém que sempre chega atrasado incentiva os outros a também atrasarem. Uma pessoa que se cuida de não falar Lashon Hará (falar de forma negativa sobre os outros) influencia outras pessoas a não falarem Lashon Hará, mas a pessoa que não se cuida e frequentemente fala Lashon Hará influencia outros a seguirem seus maus atos.
 
De acordo com o Rav Aharon Kotler, se a pessoa não se educa a ter Derech Eretz, se não se ocupa constantemente com o estudo da Torá para aprender a como se comportar, se não se incomoda com o impacto negativo de seus maus comportamentos, provavelmente está constantemente fazendo Chilul Hashem. Mas aquele que aprende com os exemplos dos nossos sábios, que sempre se esforça para ser uma pessoa melhor, que estuda Torá e utiliza na prática os conhecimentos adquiridos, certamente se tornará, como Eliezer, um modelo positivo para as futuras gerações.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm
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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

BONDADE SEM EGOÍSMO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAYERÁ 5777

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BONDADE SEM EGOÍSMO - PARASHÁ VAYERÁ 5777 (18 de novembro de 2016)

Era um dia difícil no hospital. Havia muitos doentes internados, alguns em estado grave, e o trabalho era muito intenso. Mas o que mais preocupava Sofia, uma sobrecarregada enfermeira, era um senhor de idade avançada que estava com uma grave pneumonia. Sofia viu um rapaz entrar no quarto. Certamente deveria ser o filho daquele senhor, que havia vindo ficar com ele nos seus últimos momentos. Ela inclinou-se e disse ao idoso paciente: "Seu filho está aqui". Com grande esforço o homem abriu os olhos, mas logo em seguida fechou-os novamente e estendeu a mão. O rapaz imediatamente segurou a mão dele e sentou-se ao lado da sua cama. Por toda a noite, o rapaz ficou ali sentado, segurando a mão daquele senhor e sussurrando palavras de conforto. Infelizmente, o paciente não aguentou e faleceu logo pela manhã. Em instantes, a equipe de funcionários do hospital chegou ao quarto para desligar os equipamentos. A enfermeira então se aproximou do rapaz e começou a oferecer-lhe as condolências, mas foi interrompida:
 
- Quem era esse homem? - perguntou o rapaz.
 
- Como assim, que era este homem? Não era o seu pai? - questionou a enfermeira, assustada.
 
- Não. Não era meu pai. Eu nunca vi este homem antes na minha vida - explicou o rapaz - Eu estava aqui no hospital apenas procurando o quarto onde meu primo está internado, pois queria fazer-lhe uma visita.
 
- Então, porque você não falou nada quando eu anunciei para ele que seu filho havia chegado? - perguntou a enfermeira, sem entender.
 
O rapaz, com um triste sorriso no rosto, deu à enfermeira uma das maiores lições de bondade que ela recebeu na vida:
 
- Pois percebi que ele precisava do filho, mas o filho não estava aqui. Como ele estava doente demais para reconhecer que eu não era seu filho, entendi que naquela hora ele precisava de mim. Ninguém precisa morrer sozinho, por isso eu fiquei... 

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Na Parashá desta semana, Vayerá (literalmente "E apareceu"), a Torá começa a ressaltar um dos atributos no qual Avraham Avinu mais se destacou: o Chessed (bondade). Avraham é o "patriarca da bondade". Ele tinha uma tenda aberta nas quatro direções, para que qualquer viajante que passasse por sua tenda pudesse entrar e receber água, comida e um local agradável para descansar. E a Parashá começa justamente com a visita de três anjos, mas que pareciam apenas simples beduínos, à tenda de Avraham. A Torá então "gasta" muitos versículos para descrever, com detalhes, a maneira como Avraham cumpriu a Mitzvá de "Achnassat Orchim" (receber convidados), justamente para que, através de uma análise cuidadosa dos atos de Avraham, possamos aprender o que D'us exige de nós na área de bondade ao próximo.
 
Porém, na continuação da Parashá, a Torá também se alonga muito nos atos de Chessed feitos por Lót, o sobrinho de Avraham. Lót também recebeu em sua casa dois dos "beduínos" que visitaram Avraham. Mas sabemos que Lót não era uma pessoa de boa índole, tanto que escolheu viver em Sdom, uma cidade de pessoas egoístas e imorais. Então por que a Torá se alongou ao descrever os atos de bondade de Lót como fez com os atos de Avraham? O que podemos aprender dos atos de Lót que ainda não havíamos aprendido dos atos de Avraham?
 
O entendimento fica ainda mais difícil quando prestamos atenção nos detalhes. Enquanto Avraham recebeu seus convidados apenas quando eles chegaram à porta de sua casa, como está escrito: "E ele (Avraham) estava sentado na entrada da tenda" (Bereshit 18:1), Lót foi receber seus convidados no portão da cidade, como está escrito: "E Lót estava sentado no portão de Sdom" (Bereshit 19:1). Enquanto Avraham ofereceu apenas uma simples refeição aos seus convidados, como está escrito: "E eu pegarei um pedaço de pão para sustentar o coração de vocês" (Bereshit 18:5), Lót preparou um verdadeiro banquete, como está escrito: "E (Lót) fez para eles um banquete" (Bereshit 19:3). Enquanto Avraham ofereceu a eles a sombra de uma árvore para que descansassem, como está escrito: "E se reclinem sob a árvore" (Bereshit 18:4), Lót ofereceu a eles hospedagem completa, para que pudessem passar a noite, como está escrito: "Voltem, por favor, para a casa de seu servo e passem a noite" (Bereshit 19:2). Enquanto Avraham acolheu seus convidados mesmo enquanto estava sentindo as terríveis dores do seu Brit-Milá (circuncisão), Lót chegou ainda mais longe, arriscando a sua vida e a vida de sua família para poder acolher seus convidados, pois em Sdom havia pena de morte para qualquer demonstração de bondade com pessoas de fora.
 
É interessante perceber que, em relação à forma de receber os convidados, aparentemente Lót se esforçava muito mais do que Avraham para ser agradável e hospitaleiro. Se a intenção da Parashá era ressaltar o enorme nível de bondade de Avraham, então por que a Torá descreveu logo depois os atos de bondade de Lót, de maneira a até mesmo "ofuscar" toda a bondade de Avraham? E se as bondades de Lót foram realmente maiores do que as de Avraham, por que Avraham é considerado o nosso modelo de Chessed, e não Lót?
 
Explica o Rav Yohanan Zweig que qualquer ato de Chessed normalmente vem junto com um sentimento de vergonha. Em geral, aquele que recebe a bondade sente um desconforto, pois ninguém gosta de se sentir dependente de outra pessoa. Então como o benfeitor pode superar este obstáculo e fazer uma bondade completa?
 
David Hamelech (Rei David) nos ensina: "Para sempre será construído com Chessed" (Tehilim 89:3). Mas a palavra "Olam", que significa "para sempre", também significa "mundo". Isto quer dizer que o mundo foi criado com Chessed e, se observamos os atos da Criação, aprenderemos a forma correta de fazer bondade. Na Criação do mundo, D'us começou a partir do caos e foi organizando todos os tipos de criaturas, desde os objetos inanimados, passando pelas árvores, pelas pequenas criaturas aquáticas, pelos grandes animais e finalmente chegando à criação do primeiro ser humano, Adam Harishon. Mas se Adam era o propósito de toda Criação, por que ele foi criado por último? Pois D'us queria ensiná-lo que tudo o que foi criado era apenas para seu uso e seu benefício. Porém, não seria melhor criar primeiro Adam Harishon e depois criar o mundo inteiro diante dele, ressaltando ainda mais a bondade que D'us estava fazendo com ele? Por que criar tudo e apenas depois colocar Adam em um cenário já pronto?
 
A resposta é que se Adam tivesse sido criado antes de tudo, ele teria visto claramente que todo o universo foi criado especificamente para ele, o que causaria nele vergonha e desconforto. Por isso D'us criou primeiro o mundo e tudo o que era necessário para a sobrevivência de Adam, e somente depois o criou. Desta maneira, D'us minimizou a percepção da ajuda direta que Ele estava dando a Adam e, portanto, diminuiu o sentimento de dependência e desconforto.
 
Quando fazemos bondades, devemos nos assemelhar a D'us, a Fonte de toda a bondade. D'us é a bondade perfeita, pois Ele não precisa de nada e não há nada que podemos oferecer a Ele. Portanto, quando Ele faz bondades, é um ato perfeito de doação, sem receber nada em troca. Da mesma maneira, devemos diminuir naquele que está recebendo a bondade a percepção da nossa participação neste ato. Isto permite com que aquele que recebe a bondade não se sinta endividado. Não devemos ressaltar e enfatizar o "peso" que um convidado nos causa, pois quanto menos o convidado sente que estamos fazendo algo especial para ele, mais confortável se sente.
 
Infelizmente, a maioria das bondades que fazemos não está de acordo com esta perspectiva correta. Normalmente, quando fazemos Chessed, nos sentimos pessoalmente preenchidos em sermos os benfeitores. Quanto mais enfatizamos a nossa participação no ato de bondade, maior a nossa satisfação. Porém, este tipo de Chessed é, na verdade, servir a si mesmo, não servir o outro. Quando pensamos somente no nosso bem estar e na nossa satisfação ao fazer uma bondade, estamos certamente negligenciando o sentimento daquele que recebe.
 
Portanto, daqui aprendemos que existem dois tipos de Chessed, um movido pela vontade sincera de ajudar ao próximo e outro movido pela vontade de se sentir preenchido. A Torá quis contrastar justamente estes dois tipos de bondade. Avraham fazia atos de Chessed que se assemelhavam aos atos de D'us. Ele sempre se esforçava para diminuir a demonstração do "peso" que os convidados causavam a ele, oferecendo somente o que já havia pronto, como a sombra e o pão. Somente quando os convidados já estavam mais confortáveis, já se sentiam "em casa", ele aumentava o que era oferecido. No início ele ofereceu apenas um pouco de pão, mas acabou servindo língua com mostarda, uma comida de reis. A consequência é que aquele que recebia bondades de Avraham se sentia completamente confortável.
 
Por outro lado, podemos perceber que o Chessed de Lót era, na verdade, um ato egoísta. Lót preparou para os "beduínos" um banquete, utilizando suas melhores louças e seus talheres de prata, pois isto lhe dava satisfação. Isto também explica como Lót pôde ter oferecido à população enfurecida, que queria fazer mal aos seus convidados, as suas próprias filhas. Nenhuma pessoa bondosa normal teria este tipo de comportamento abominável! Entretanto, Lót fez isto porque queria que sua hospitalidade refletisse sua própria generosidade e grandeza espiritual. Esta era a verdadeira motivação para suas bondades, o egoísmo e a vontade de mostrar aos outros a sua generosidade. Isto é enfatizado pela forma como Lót suplicou aos habitantes de Sdom para que não fizessem mal aos seus convidados: "Eles estão sob a sobra do meu telhado" (Bereshit 19:8). Estas palavras deixam claro que a única preocupação de Lót era como o bem estar de seus convidados refletiria sobre sua reputação. Foi por isso que, quando ele ofereceu aos convidados hospedagem, eles reagiram de uma maneira grosseira e responderam: "Não, dormiremos na rua" (Bereshit 19:2). Provavelmente quando Lót ofereceu a eles ajuda, estava apenas querendo enfatizar e ressaltar sua própria generosidade e sua grandeza de espírito. Isto causou nos convidados uma resposta agressiva, que era reflexo do desconforto causado.

A Torá recorda o Chessed de Lót junto com o Chessed de Avraham, mas não para ofuscar os atos de Avraham, e sim para ressaltar o valor de um Chessed feito com motivações verdadeiras. Um dos fatores mais importantes para um Chessed verdadeiro e completo é minimizar o desconforto de quem recebe. Mesmo que os atos de Lót foram maiores do que os de Avraham, eles foram feitos com motivações egoístas, com o único propósito de se engrandecer aos olhos dos outros e se sentir satisfeito com seus próprios bons atos, e por isso causaram desconforto. Avraham fazia atos mais simples justamente por serem bondades verdadeiras e com o intuito de minimizar a percepção de que ele estava fazendo algo especial pelos convidados. Este deve ser o nosso modelo de bondades e assim devemos tentar nos comportar. Pois, aos olhos de D'us, um pequeno bom ato feito com recato e com as motivações corretas é muito maior do que um grande ato feito com egoísmo e orgulho.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm
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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHÁ VAYERÁ:

                   São Paulo: 19h11  Rio de Janeiro: 18h57                     Belo Horizonte: 18h54  Jerusalém: 16h03
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Bentzion ben Chana, Ester bat Rivka, Rena bat Salk, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Pece bat Geni, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Yolanda bat Sophie, Chai Shlomo ben Sara, Eliezer ben Esther, Debora Chaia bat Gueula, Felix ben Shoshana, Moises Ferez ben Sara, Zelda bat Sheva, Yaacov Zalman bat Tzivia, Yitzchak ben Dinah, Celde bat Lea, Geni bat Ester, Lea bat Simi, Yaacov ben Ália, Chava bat Sara, Moshe David ben Chaia Rivka, Levi Itzchak ben Reizel, Lulu Chana bat Rachel, Haia Yona bat Sara, Shulem ben Chaia Sara, Daniel ben Yonit, Chai bat Rivka, Sara Ite bat Michle, Ben Tsion ben Chaya Ruchel, Yaacov Baruch ben Chaya Lib, Masha Fratke bat Chaya Lib, Tinok ben Simcha.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
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